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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Comunicação falha


Vez ou outra isso ocorre... uma mensagem com determinada intenção parte do seu agente e chega ao seu receptor truncada, abafada, sem nexo.

Resultado: o receptor interpreta-a a seu gosto, o que, na maioria das vezes, é bem diferente da intenção original do que emitiu a tal.

Até aqui, tudo bem... sinais ocupados e interferências podem até ser considerados corriqueiros, sem gravidade suprema... o problema é quando aquele que recebeu a mensagem truncada, toma-a como verdade absoluta.

E, em geral, esta verdade 'absoluta', aos olhos ouvidos do receptor de orelha suja, acaba se transformando em  ofensa. O desgosto lhe corrói a alma, a raiva, a decepção, a tristeza...
Afinal, eram amigos... como pude acreditar naquele que hoje se mostra tão cruel, tão falso...?

Mais uma vez, falha na comunicação. Ouvir de terceiros uma história que envolve a sua pessoa, merece cautela. Afinal, qual a verdadeira intenção daquele que lhe conta a tal história? Seria mesmo verdade aquilo que lhe foi contado?

Confesso que aprendi, a duras penas, separar e filtrar o que chega até os meus ouvidos... e dou pouca importância a histórias alheias que vêm recheadas ou pingadas de venenos. Cansa... Passei a limpar com mais frequência meus canais auditivos.

E me fez bem.

Já era seletista... fiquei pior.

E quem ouve menos, fala menos. É um bom exercício. Fiz isso porque percebi que até mesmo o que você fala, ecoa erradamente, não traduzindo com perfeição sua real intenção. Um comentário sem maldade, acompanhado de um suspiro e de um olhar desdenhoso pode ser multiplicado rapidamente com maldade, e ainda atribuído à sua pessoa a autoria.

Melhor não arriscar. Em boca fechada nunca entrou mosca. Moscas preferem podridão e sujeira... longe de mim.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A lógica do tubarão


Custo a entender, por vezes, a razão pela qual um outro ser humano age de forma, sob meu ponto de vista, equivocada. E entendo menos ainda quando esta mesma pessoa continua insistindo em agir da forma que elegeu, muitas vezes persistindo nos mesmos erros, agarrada em suas convicções e lógicas transversas.

Outro dia desses, lendo crônicas filosóficas, deparei-me com uma tese denominada 'a lógica do tubarão'. Certa vez, Jacques-Yves Cousteau, o maior oceanógrafo do século XX, indagado por um jornalista sobre quais as chances de alguém escapar com vida de um ataque de tubarão, afirmou: 'as chances são nulas'. Indignado, o insistente jornalista perguntou, na sequência, se o tubarão, mesmo alimentado, ameaçado por um arpão, à noite, etc., etc., etc., continuaria  a atacar. A resposta, novamente, foi: 'o bicho atacará de qualquer modo'. O jornalista, irritado, bradou: 'mas isso não tem lógica!

Diante do impasse, Cousteau arrematou: 'tem sim... é a lógica do tubarão'!

Essa constatação, em comparação metafórica, pode ser aplicada, sob diversos aspectos, em nossas ocasiões cotidianas. Quantas vezes nos deparamos, assustados, com verdades truncadas, comportamentos tortos, ações inadequadas que, de acordo com nossos princípios, apresentam-se de forma totalmente equivocada.

Esquecemo-nos, por certo, que a motivação escolhida para direcionar a conduta passa longe dos critérios que cada um estabelece para si próprio como correto. A lógica do outro nunca será, ao menos completamente, a mesma para todos. 

E quantas vezes me pergunto, observando o comportamento alheio: 'Mas por que motivo ele agiu assim? O que o levou a concluir dessa forma? Qual foi a premissa eleita para esta conduta?

As respostas, quase que na maioria das vezes, não permitem encaixar a totalidade das peças do quebra-cabeças. Sempre falta uma, duas, três... e a figura não se completa.

A hipótese descrita sobre a lógica do tubarão esclarece que não apenas ao peixe, mas principalmente dentre os humanos, muitas fontes são base para direcionar ações e verdades, sendo praticamente impossível prever ou deduzir qual será o próximo ato.

Tubarões são mais simples, sabe-se que eles sempre atacam...








domingo, 15 de maio de 2011

Geladeira aberta


Uma grande prova de intimidade entre amigos é convidá-los para vir à sua casa. Trata-se de um passaporte para a aproximação, uma vontade de estreitar laços, uma permissão para conhecer seu ninho, suas memórias, suas manias, gostos e dotes culinários e rir de tudo isso junto. Adoramos receber os amigos e familiares aqui em casa e fazemos isto com grande frequência. É ótimo.

E todos que vem aqui tem toda a liberdade do mundo. Gosto de deixá-los sentir-se em casa. Se conquistou nossa amizade, conquistou também as regalias de quem se sente à vontade. Pode abrir a geladeira, sem cerimônias.

Na verdade, a grande barreira a ser ultrapassada é permitir vir e estar aqui em casa. Escolhemos nossa amizade dentre aqueles que apresentam afinidade, tolerância, educação, carinho e pensamentos compatíveis (às vezes nem tanto) com os nossos. As diferenças são encaradas como possibilidades de crescimento...afinal, discutir e conversar só com os iguais não provoca nem gera crescimento. É bom contestar, argumentar e exercitar estes movimentos com quem você quer bem, com quem você tem consideração.

E como é bom rir, conversar, pensar, discutir ideias, compartilhar...

Acho engraçado a reação das pessoas na primeira vez que abrem a geladeira alheia. Socialmente, todos sabem que o fato é reconhecidamente a permissão dos anfritriões em invadir sua intimidade, assim como também deixar conhecer a parte íntima da casa, quartos, banheiros não sociais e afins. Vejo uma alegria estampada quando se pede uma bebida qualquer e a concessão é dada: pode abrir a geladeira, vai lá! Logo, os laços de amizade se consolidam e fortificam instantaneamente.

É, que grande poder tem a porta da geladeira... e também a porta dos quartos, dos banheiros , do acesso ao segundo andar...

Entre e fique à vontade!
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