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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pizzaria Google


Pizzaria Google, boa noite! ?


- De onde falam?


- Pizzaria Google,senhor. Qual é o seu pedido?



- Mas este telefone não era da Pizzaria do...


- Sim senhor, mas a Google comprou a Pizzaria e agora sua pizza é mais completa.


- OK. Você pode anotar o meu pedido, por favor?


- Pois não. O Senhor vai querer a de sempre?


- A de sempre? Você me conhece?


- Temos um identificador de chamadas em nosso banco de dados, senhor. Pelo que temos registrado aqui, nas últimas 53 vezes que ligou, o senhor pediu meia quatro queijos e meia calabresa.


- Puxa, eu nem tinha notado! Vou querer esta mesmo...


- Senhor, posso dar uma sugestão?


- Claro que sim. Tem alguma pizza nova no cardápio?


- Não senhor. Nosso cardápio é bem completo, mas eu gostaria de sugerir-lhe meia ricota, meia rúcula.


- Ricota ??? Rúcula ??? Você ficou louco? Eu odeio estas coisas.


- Mas, senhor, faz bem para a sua saúde. Além disso, seu colesterol não anda bom...


- Como você sabe?


- Nossa Pizzaria tem o banco de dados mais completo do planeta. Nós temos o banco de dados do laboratório em que o senhor faz exames também. Cruzamos seu número de telefone com seu nome e temos o resultado dos seus exames de colesterol. Achamos que uma pizza de rúcula e ricota seria melhor para sua saúde.


- Eu não quero pizza de queijo sem gosto e nem pizza de salada. Por isso tomo meu remédio para colesterol e como o que eu quiser...


- Senhor, me desculpe, mas acho que o senhor não tem tomado seu remédio ultimamente.


- Como sabe? Vocês estão me vigiando o tempo todo?


- Temos o banco de dados das farmácias da cidade. A última vez que o senhor comprou seu remédio para Colesterol faz 3 meses. A caixa tem 30 comprimidos.


- Porra! É verdade. Como vocês sabem disto?


- Pelo seu cartão de crédito...


- Como?!?!?


- O senhor tem o hábito de comprar remédios em uma farmácia que lhe dá desconto se pagar com cartão de crédito da loja. E ainda parcela em 3 vezes sem acréscimo...Nós temos o banco de dados de gastos com cartão na farmácia. Há 2 meses o senhor não compra nada lá, mas continua usando seu cartão de crédito em outras lojas, o que significa que não o perdeu, apenas deixou de comprar remédios.


- E eu não posso ter pago em dinheiro? Agora te peguei...


- O senhor não deve ter pago em dinheiro, pois faz saques semanais de R$ 250,00 para sua empregada doméstica. Não sobra dinheiro para comprar remédios. O restante o senhor paga com cartão de débito.


- Como você sabe que eu tenho empregada e quanto ela ganha?


- O senhor paga o INSS dela mensalmente com um DARF. Pelo valor do recolhimento dá para concluir que ela ganha R$ 1.000,00 por mês. Nós temos o banco de dados dos Bancos também. E pelo seu CPF...


- ORA VÁ SE DANAR !


- Sim senhor, me desculpe, mas está tudo em minha tela. Tenho o dever de ajudá-lo. Acho, inclusive, que o senhor deveria remarcar a consulta que o senhor faltou com seu médico, levar os exames que fez no mês passado e pedir uma nova receita do remédio.


- Por que você não vai à m....???


- Desculpe-me novamente, senhor.


- ESTOU FARTO DESTAS DESCULPAS. ESTOU FARTO DA INTERNET, DE COMPUTADORES, DO SÉCULO XXI, DA FALTA DE PRIVACIDADE, DOS BANCOS DE DADOS E DESTE PAÍS...


- Mas senhor...


- CALE-SE! VOU ME MUDAR DESTE PAÍS PARA BEM LONGE. VOU PARA AS ILHAS FIJI OU ALGUM LUGAR QUE NÃO TENHA INTERNET, TELEFONE, COMPUTADORES E GENTE ME VIGIANDO O TEMPO TODO...


- Sim, senhor...entendo perfeitamente.


- É ISTO MESMO! VOU ARRUMAR MINHAS MALAS AGORA E AMANHÃ MESMO VOU SUMIR DESTA CIDADE.


- Entendo...


- VOU USAR MEU CARTÃO DE CRÉDITO PELA ÚLTIMA VEZ E COMPRAR UMA PASSAGEM SÓ DE IDA PARA ALGUM LUGAR BEM LONGE DE VOCÊ !!!


- Perfeitamente...


- E QUERO QUE VOCÊ ME ESQUEÇA!


- Farei isto senhor... ...(silêncio de 1 minuto)


- O senhor está aí ainda?


- SIM, PORQUE? ESTOU PLANEJANDO MINHA VIAGEM...E PODE CANCELAR MINHA PIZZA.


- Perfeitamente. Está cancelada. ...(mais um minuto de silêncio) - Só mais uma coisa, senhor...


- O QUE É AGORA?


- Devo lhe informar uma coisa importante...


- FALA, CACETE....


- O seu passaporte está vencido.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O ovo de Colombo


A metáfora referente ao Ovo de Colombo é, de certa forma, uma ode ao óbvio, mas de forma inversa.

Sempre irritou-me o óbvio, discutir o óbvio, preocupar-se com o óbvio... tudo parece ser uma grande perda de tempo, uma vez que, estabelecida a obviedade, a construção do pensamento, necessariamente, deveria avançar a partir daquele ponto.

O problema é quando, por inúmeras razões, temos que retroceder ao óbvio para efetivamente criá-lo, estabelecendo, enfim, o devido acordo semântico para que a comunicação se concretize.

Mas a obviedade tratada pelo Ovo de Colombo é algo sutilmente diferente. É o óbvio que ninguém vê, que passou despercebido ou que deixou de ser óbvio aos olhos da maioria. E a partir do instante que foi iluminado, os antes cegos o observam com clareza cristalina, a ponto de não entender o porquê de não terem visto antes.

Muitos 'Ovos', além de Colombo, foram destaque: Newton, Descartes, Locke, Galilei Galilei, Jesus, Beethoven, Platão, entre tantos. Eles foram, à sua época, pessoas que mudaram o curso da história, mostrando muito além do óbvio, escancarando suas teses e teorias em prol da humanidade.

Diferente não ocorre na era digital. Destaques para Sergey Page e Larry Brin, Bill Gates, Lars Hasmussen, Jens Rasmussen, Mark Zuckerberg, Ajay Bhatt, Jack Dorsey, John Edward Warnock e ... Steve Jobs. Mais do que apenas colocar um ovo em pé, todos eles criaram formas de aproximar elementos básicos da sociedade humana dos próprios indivíduos: informação e comunicação, elevando-as ao patamar grandioso de moeda poderosa.

Hoje, parece-me óbvio digitar uma palavra e num piscar de olhos encontrar exatamente o que procurava. É óbvio manifestar meu pensamento de forma livre e compartilhada, curtindo o que me interessa...óbvio também ligar o computador e ele funcionar com janelinhas saltitantes e organizadas. Óbvio ter ao telefone muito mais do que apenas um telefone. Óbvio deitar no sofá e deslizar o dedo por uma tela sensível ao meu comando, numa prancheta finíssima, que me atende sem hesitação.

Já não detesto tanto assim o óbvio. Recolho-me à minha insignificância diante destes gigantes. Galilei, Newton e todos os antigos ficarão contentes com a chegada de Jobs. Em seus próximos ciclos, teremos novidades... 







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