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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Minhas estacas


Eram fortes as minhas estacas. Há três ou quatro anos atrás, pelo menos, achava que elas eram, a princípio. Mas por essas surpresas da vida, uma grande delas ruiu. Rachou feio. Trincou e deixou cair as demais, no conjunto de minhas maiores convicções e certezas.

Fiquei perdida por um tempo. Zonza como quem recém desmorona e ainda não sabe ao certo onde está, vez que tudo parece tão estranho e diferente. Zonza como quem leva um susto muito grande, quando o chão parece ruir e te engolir. 

Todos temos nossas estacas. Nos firmamos nelas, como prédios e grandes construções também o fazem. E dificilmente nos mantemos em pé quando algo inesperado acontece, situação em que as estacas não suportam o peso elevado do medo, da angústia, do sofrimento e da injustiça.

Refiz minhas estacas. Já se passou mais de um ano do grande desmoronamento. Levantei.


 Mas não refiz só aquela que ruiu. Multipliquei-as.

Percebi que meu maior erro foi confiar em poucas delas. Em concentrar minha vida em alguns eixos que não são tão importantes assim. Não na proporção que outrora dava.

Por mais grossas, enterradas e fortes que sejam, se forem apenas algumas estacas, o rompimento de uma delas desmorona as demais também. Solução da engenharia: mais estacas.

Simples assim.

Com vinte ou trinta estacas, ainda que mais finas e superficiais sejam, não comprometem o eixo central, que permanece hígido, forte no conjunto e pronto a receber mais e mais trancos.

Inspirei-me nos cálculos matemáticos e os imitei. Somei minhas forças. Não juntei cacos. Não permito que as migalhas contem minha história. Deixei que os restos fossem embora, junto com o sofrimento que me causaram. Restou só o que efetivamente sobreviveu, pois sim, foi o que se mostrou forte e austero, pelo que vale lutar e reerguer.

Hoje, minhas estacas são muitas. Muitas mais que antes. Mais profundas e, em conjunto, mais fortes. Ainda que uma ou outra seja destruída, dificilmente uma queda acontecerá.

Esse era o meu objetivo. Não permitirei mais que cheguem perto de minhas estacas. E ainda que isso aconteça, está protegida minha paz central. Ela jamais será atingida novamente.


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