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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O vaso e a criança


Hoje, ao buscar minha filha no colégio, assisti a uma cena inusitada. Aos berros, uma mãe gritava para seu filho não fazer algo na muvuca do estacionamento às seis da tarde. Todo mundo ouviu...NÃO, NÃO FAZ ISSO, NÃÃÃÃÃÕOOOOO....

De repente, um estrondo, um barulho como que uma batida violenta entre dois carros.

Confesso que não vi nada, só ouvi e vi o resultado do tal barulho. Um vaso enorme, daqueles que abrigam plantas grandes externas, estraçalhado perto de um veículo estacionado, cujo proprietário nem sonhava o que tinha acontecido, enquanto também buscava seu filho na escola.

O tal vaso estava num canteiro pequeno, íngreme, em cuja base estão diversos veículos estacionados. O tal garotinho peralta, aparentando uns 5 anos, desobedecendo as ordens da mãe, empurrou singelamente o pesado elemento (sinceramente não sei como, devia ser pesado pacas) e provocou um baita prejuízo. O vaso rolou e terminou seu curso na lataria de um carro de dono azarado...

Desesperada, como que em uma cena de câmera lenta, a mãe, por reflexo, ainda tentou segurar o vaso (disseram os curiosos, pois não vi a cena), para que ele não batesse no veículo. Por sorte, ela não se machucou, pois era impossível parar o trajeto do pesado vaso.

Nem preciso dizer o quanto a cena provocou nos que passavam... sustos, risadas, rostos assustados, óóóóó, meu deus, coitada, coitado, enfim...

Fiquei pensando na tal cena durante todo o trajeto de volta pra casa. Longe de mim querer criticar a mãe do menino...quem tem filho, atire a primeira pedra quem nunca sofreu uma cena de desobediência em público, mas tudo lá tem seus limites.

Ainda não consegui definir que castigo daria à minha filha se fosse ela quem tivesse provocado tamanho problema, mas certamente não seria um castigo qualquer. Além de desobedecer, a criança também demonstrou que não dá valor às coisas, às plantas, ao perigo, às pessoas e ao patrimônio...em resumo: tudo errado.

Apenas uma peraltice de criança? Difícil encarar o fato de forma tão simplória. Pode sim, ser um grande alerta àquela mãe e a todos que tem a missão de educar uma criança. Está tudo certo na educação que você dá a seu filho? Que valores e que princípios você está passando para ele ou ela?

A frase de Içami Tiba sempre me vem à mente: quem ama, educa. Educar é um dos atos mais complexos e difíceis de todas as ações humanas. Uma tarefa árdua, às vezes traiçoeira, pois não há fórmula mágica, nem tampouco receita de bolo, daquelas prontas que dão sempre certo, bastando misturar os ingredientes na quantidade correta...

Aprender a dizer 'não', da mesma forma e na mesma dosagem criteriosa do 'sim', é de grande valia. Mais precioso ainda é estabelecer desde cedo a regra número um da educação, que por acaso também vem a ser um princípio da Lei de Newton: toda causa tem um efeito, lei da ação e reação. A repreensão deve ser sempre na medida certa e no momento oportuno.

Mas não é só isso. O tal vaso foi apenas um chamariz para este meu eterno compromisso. O que queremos para nossos filhos? Que resultado de pessoas queremos ajudar a construir?

Esse é o meu foco, esta é a minha meta. Agradeço ao vaso... a cena povoará minha mente por um bom tempo, talvez para sempre, impedindo-me de esquecer meu compromisso e minha responsabilidade como mãe. Uma fração de segundos somente é capaz de provocar episódios dantescos...

2 comentários:

Manu disse...

Que interessante seu texto e sua história, minha filha é um TANTO peralta o que me faz usar alguns decibéis a mais em alguns (vários, muitos) momentos...
Hoje, mais do que antes de tr minha filha, sei que ser mãe e pai, ter um filho, dar educação, ensiná-los dos respeitos e a quem se devem ter é uma responsabilidade tamanha. é uma responsabilidade social, é, eu vejo dessa forma, pensemos que se criarmos a prole com o 'cabresto' solto, o que o futuro nos reserva? Noites em delegacias? Noites em emergências de hospitais? Chamadas na direção da escola? Pagamentos de prejuízos causados pelo 'peralta'? Na minha opinião, muita coisa ruim que acontece hoje em dia, principalmente onde falta bom senso e respeitos diversos, é causada pela falta de noção de família, de mãe, de pai, de compromissos, por menores que sejam, de sentar a mesa numa refeição, das conversas que dali podem sair, da explicação do dever de casa, da arrumação da mochila e por aí vai... O que eu sei é que ser mãe é de uma responsabilidade tão grande, que deveria ter prova...

Beijos!

Fernanda disse...

Amei o post...ainda mais que hj mesmo escrevi sobre educação de filhos no meu blog.

"Não existe fórmula para se criar filhos, então nos lançamos diariamente ao desafio de dosar amor, limites, confiança, respeito, regras. Ufa! Não é fácil, mas quem disse que o amor tem que sê-lo?" (Pote de Palavras)

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