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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Responsabilidades infantis


Voltando da escola, caminho arborizado e florido, um belo fim de tarde... Papo rola solto com minha pequena de seis anos, quase sete...

Perguntava eu como ela estava se sentindo no segundo ano, pois já está prestes a encerrar a segunda semana de aula e queria saber como estava sendo a coisa toda na cabecinha dela...

- Eu estou 'a-do-ran-do' mãe!!! (assim, pausadamente).
- Ah é, filha? E por que?
- É porque eu estou tendo muitas responsabilidades e estou gostando de sentir isso.
- É mesmo?
- Claro, o segundo ano está começando muito bem. Eu percebi que a gente é responsável por tudo o que faz. Tem amigos que não se comportam muito bem e eles atrapalham os outros que querem aprender. 
- Ah, isso é muito ruim, não é mesmo?
- Eu fico muito chateada e falo logo pra esse amigo, mas eles muitas vezes não dão bola e querem continuar atrapalhando os outros. Aí, não tem jeito, tem que ir pra sala do inspetor.
- Humm.
- Eu também agora sou responsável pelo dinheiro da cantina que você me dá, eu cuido direitinho. Sou responsável por cuidar da minha mochila, dos meus materiais. Eu também cuido de mim mesma, tô aprendendo. Tem até os inspetores que ficam pelo colégio que ajudam, se eu precisar. Mas eu sei que sou responsável até pelo meu tempo. Por exemplo, quando eu te prometo que vou te esperar na biblioteca, eu estou lá, aproveitando o meu tempo, lendo um livrinho, jogando uns jogos bem legais no computador. Eu gosto.
- Nossa filha, quanta coisa boa que você está aprendendo.
- É verdade. Por isso estou adorando o segundo ano. Eu até vi hoje na televisão que um ciclista morreu porque foi atropelado, pois não havia ciclovias para ela andar no espaço dele. Eu fiquei muito triste...
- É mesmo filha, é uma coisa terrível...
- Eu acho que esse nosso prefeito não tá fazendo nada certo. Nem mandou construir ciclovias.... (pausa). Mãe, será que um dia posso ser prefeita?
- Claro filha, pode sim. É um cargo de muita responsabilidade, sabia?
- Ah sim, mas eu estou aprendendo a ter responsabilidade, e estou gostando muito disso. Eu acho que vou ser uma ótima prefeita! Vou fazer ciclovias para as pessoas andarem de bicicleta e não serem atropeladas. Também vou dar um jeito nessas filas da nossa cidade, que são muitas!
- São decisões muito importante para a nossa cidade, tenho certeza que você será uma ótima prefeita, pensando assim.

Sorrisão feliz da filha, encerrando o papo... Sorrisão maior ainda da mãe, inflada de emoção...


sábado, 10 de dezembro de 2011

Embarque neste trem...


Este dia nove de dezembro foi marcado por um fato importante. Era o último dia de aula de minha filha e dentre os tantos acontecimentos bons do dia uma pergunta dela me fez tremer: mãe, a fulana disse para mim que Papai Noel não existe! 

E antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, ela pergunta de novo: o que você acha disso? Você acredita no Papai Noel?

Enfim, era chegado o momento de dizer o que era preciso. Mas não assim, de qualquer jeito, secamente, numa ruptura direta ao mundo real, sem passar por um estágio intermediário.

Respirei fundo.

No meio do trânsito, da chuva, e do caos do fim do dia, um par de olhos e ouvidos atentos esperavam por minha explicação. Comecei.

Disse que Papai Noel é um símbolo. Um símbolo mágico que nos transfere imediatamente à lembrança de tudo o que é bom, daquilo que é efetivamente importante na vida de cada um: família, amigos, amor, compreensão, paz...

É a síntese do Natal e de tudo que de maravilhoso existe no mundo. Há os que acreditam e os que não creem que existam boas coisas. Não há um Papai Noel do jeito certo ou do jeito errado. Há apenas o Papai Noel e a carga de tudo o que ele representa. São escolhas nossas que permitem trilhar os caminhos que conduzem ao bem, ao amor, à pureza, à paz e à vida melhor.

Os presentes representam a lembrança, um sinal de que aquele alguém é importante para nós. Quando estamos com o coração cheio de amor e pensamos em alguém, queremos representar esse carinho entregando um presente a esta pessoa. E não precisa ser algo embalado. Pode ser um telefonema, uma carta, um beijo e abraço ou mesmo um maravilhoso 'eu te amo'. Também pode ser um perfume, uma joia, um carro, um livro, uma blusa, um brinquedo... tudo é expressão de amor e ternura. O Papai Noel representa toda essa simbologia, pois é ele quem entrega os presentes, quem transmite esse amor...

Decidimos ir ao shopping... era hora da verdade.

- Filha, vamos comprar agora aquele jogo que você pediu para o Papai Noel.
- Mas é você quem vai comprar? Não é o Papai Noel?
- Não querida, são as pessoas que compram os presentes...
- Ah é, você me explicou, o Papai Noel é apenas um símbolo!

Eis que o bom velhinho surge sentado no trono vermelho , no centro da decoração natalina do shopping...

- Vai lá filha, conversa com o Papai Noel.
- Mas eu não vou pedir nada a ele...
- Não precisa pedir nada, apenas converse com ele, diga o que ele representa a você...

E lá foi ela. Nem preciso dizer que enxuguei lágrimas enquanto olhava ela conversando com o bom velhinho, toda animada. Não ouvi a conversa, apenas observei seu sorriso e o rosto surpreso do senhor que carinhosamente a escutava. Imaginei o que ela tinha falado a ele e sorri... 


Como é lindo ver um filho crescer...

No retorno, papai e mamãe decidiram que era o momento de marcar o acontecimento, sem que ela percebesse, já que tudo estava sendo muito natural. Decidimos parar na locadora e locar o filme 'Expresso Polar', o clássico que representava bem o momento vivido. Crianças que acreditavam e crianças que duvidavam da existência do Papai Noel.

Assistimos os três juntos, com direito a pipoca e escurinho.

Ao final, o guizo sonoro representava a crença. Quem escutava o som, era porque acreditava. Quem não escutasse, o contrário...

O desfecho do filme, lindíssimo, sugeria exatamente o conteúdo daquilo que respondi no carro. O Natal está sempre dentro dos nossos corações, dos corações daqueles que acreditam no que ele representa. Tudo o que nos remete ao Natal nos transporta a essa magia...

Final do filme. Ela foi até a árvore e pegou uma bola vermelha. Uma bola que, supostamente, não deveria ter som, porque era apenas uma bola decorativa, daquelas nossas conhecidas de sempre. Caprichosamente, por uma dessas coincidências mágicas, a bola escolhida estava com um grampo solto dentro.


Balançando, ela emitiu um som. O sorriso dela foi incrível... 


- Mãe, você está ouvindo? Estou sim querida... E você pai, consegue ouvir? Consigo filha!

Êêêêê... nós todos acreditamos no Natal! Temos um guizo que faz barulho!!! Eu vou sempre acreditar no Natal, até eu ficar velhinha! Essa bolinha vai sempre fazer um som para mim! Eu acredito!!!

Foi verdadeiramente mágico. Chorei mais uma vez.

No filme, uma frase marcante: "Sobre os trens, não importa saber o seu destino, importa saber se queremos embarcar…"

Nós, por aqui, já decidimos...

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Gogo's Land


Então. A nova mania aqui de casa é a Gogo's Land. São mini bonequinhos que representam as dezenas de personagens de Maurício de Souza. Eles vêm em duplas, junto com quatro figurinhas, para um álbum, ao custo de alguns reais o pacotinho.

O álbum, em si, não tem nada de especial. Aliás, as figurinhas são o que menos interessam. O que importa mesmo são os Gogo's (não me perguntem o porquê) #perguntaproMaurício

Minha morena de seis anos ficou encantada. Anda pra lá e pra cá carregando seus vinte minúsculos Gogo's (de um total de sessenta), e volta e meia se desespera quando percebe a falta de um deles. Nem preciso dizer o quanto é apaixonada pela Turma da Mônica (alguém não é?), e ver seus personagens favoritos concretizados em bonequinhos, como que saltando dos gibis para permitir brincadeiras materiais, foi a descoberta do fim de semana.

Já estou às voltas para confeccionar mini casinhas de feltro para cada um dos personagens da Turma do Limoeiro (na verdade, os Gogo's moram na Rua do Limboeiro), com direito a cemitério para a turma do penadinho e cavernas para os pré históricos. E já caí na brincadeira também, com muito gosto.

Cada um dos bonequinhos conta com habilidades específicas (uns saltam mais longe, outros são mais fáceis de pôr em pé, e assim por diante), e o álbum sugere ainda diversas brincadeiras que se pode fazer com os simpáticos personagens.

Sem dúvida, nova mania entre a criançada dos seis e sete anos (#tôdentro).

O que mais me surpreende, fora a grande capacidade de se criar coisas simples que encantam a criançada, é ver que, no fundo no fundo, brincadeira de criança ainda é muito ligada ao imaginário. Não nego que eu também, quando meus primeiros dente de leite caíam, fantasiava situações para brincar... uma hora era super herói, outra era princesa, bruxa, gatinho, pássaro, médica, cientista ou astronauta...e não desgarrava dos meus gibis da Turma da Mônica, que me acompanharam por muitos anos (pena que ainda não existiam os Gogo's...).

É evidente que isso varia muito de criança a criança, as preferências são pessoais... mas a verdade é que, mesmo com toda a tecnologia e o mundo digital que a cerca, seus interesses primários ainda são muito parecidos com os que me rodeavam. Simular situações, das mais variadas, usando como pano de fundo Gogo's ou as antigas fofoletes, é o que toda criança necessita para tornar-se futuro.

E homenageando Carlos Drummond de Andrade, que completaria 109 anos neste 31 de outubro:


“ Brincar com crianças, não é perder tempo, é

ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escolas, mais

triste ainda é vê-los sentados sem ar, com

exercícios estéreis sem valor para a formação do

homem”

Uma última nota: apesar das semelhanças, o mundo é mesmo outro...crianças não são como as de antigamente, por certo. No cantinho do álbum, o endereço do site já foi devidamente localizado e acessado pela minha gogomaníaca, que ainda arrematou: 'eu queria arranjar um jeito de agradecer o Maurício por ter feito o Gogo's pras crianças, mãe! Oooooo, filha, pode deixar que a mãe arranja um jeito de agradecer! Você promete? Prometo!'


Então, caro Maurício, espero que chegue até você esta singela homenagem. Obrigada pelos gibis, que permitem reviver minha infância na leitura de minha filha...obrigada pelo gogo's, que nos permite continuar voando nas asas da imaginação.


E mais vivas a Maurício de Souza, que não se contenta em 'apenas' contribuir para a descoberta da leitura de gerações, mas também de formar indivíduos plenos, cidadãos conscientes, com ternura, criatividade, sem deixar de lado a modernidade que já faz parte de tudo que nos cerca.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Em dia de criança...

Neste dia da criança, o bom é sempre recordar a melhor fase da vida, sabendo que se pode vivê-la com intensidade, ainda que adultos... 

No entanto, as responsabilidades e compromissos nos impedem, até por obviedade, de lembrar que nada se compara aos primeiros anos, quando todas as descobertas são incríveis, quando o grande desafio é aprender a ler e escrever, quando um chocolate é comido sem culpa, quando um livro é um convite à imaginação, quando ainda nos preocupamos com o bem estar do colega ao lado e que, por isso, damos despretensiosamente uma figurinha só para ver a alegria do outro ao completar seu álbum...

Mas, quando num piscar de olhos, nos vemos adultos, repetimos o mesmo saudosismo, e ficamos espantados de como tudo passou tão rapidamente...

Olho hoje, todos os dias, e vejo minha pequena crescer... tão linda, tão especial...e não escondo aqui que muitas vezes o medo me pega de jeito por saber que logo logo ela será mais uma de nós, mulheres adultas, com um sem número de responsabilidades, num mundo cão que a espera com muitas garras e poucos sorrisos.

Bom seria se ficasses assim, sem crescer, como na poesia de Vinícius de Moraes...

Mas como ainda não se inventou um modo de parar o relógio para sempre, resta-me desejar-te Feliz Dia das Crianças, minha amada filha! 

Vivo em ti a minha própria infância e permito-me usar de tua energia para recarregar-me em tua gargalhada alta que ecoa pela casa...

Que todos os seus momentos infantis possam estar vivos durante tua trajetória terrena, dando-te o suporte mais firme, mais completo e mais amoroso que um ser humano pode ter.

És minha melhor obra, meu sonho mais doce...um pedaço do céu infinito que Deus me presenteou, minha criança, minha feliz criança!!!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lembranças da infância


É engraçado como depois de ter filhos, nós voltamos a ser criança todos os dias. Ver o seu anjinho crescer te remete, a cada momento, a como você viveu sua infância e o quanto é saboroso viver esse pedaço da vida de forma plena.

Algumas coisas você faz questão de repetir, numa tentativa desesperada de fazer com que seu filho sinta a mesma emoção e tenha a mesma recordação que você teve e tem até hoje.

São doces esses momentos, que voltam sim, na ocasião em que você curte, junto de seu filho, as descobertas e as vitórias próprias de cada idade. Hoje, lembro de minha mãe com os meus 35 anos, fazendo, em ciclo repetitivo tudo o que venho fazendo com minha pequena. Lembro do quanto a admirava, do quanto a considerava guerreira e perfeita, do quanto sua presença me fazia bem... e é muito bom pensar que minha filha sente o mesmo por mim. É uma sensação de paz, de amor, de estar fazendo o meu melhor, tal como minha mãe também fez por mim.

Meus desenhos preferidos, minhas brincadeiras favoritas, meu jeito de desenhar, escrever e buscar novas informações (ainda na Barsa, índice no volume 15)... tudo é muito diferente e distante da era Google, mas ainda tem sabor infantil. Minha filha vive uma infância conectada com a primeira década do ano 2000. Já tem celular, domina o mouse e desliza o dedinho e telas touchscreen com precisão invejável. Insiste em ter perfil no orkut, facebook (não dá filha, você é ainda muito novinha) e pergunta o que é esse twitter aí que você gosta tanto mãe?

Ainda que diferente de mim, a infância de minha filha, com certeza, marcará nela um pacote enorme de boas lembranças para a fase adulta, que tem no meio uma vivência adolescente e juvenil como rito de passagem.

O melhor de tudo isso é observar todo o seu desenvolvimento e, de quebra, recordar do meu tempo de criança... E nesse contexto, o jargão sobre 'o nosso lado infantil sempre ativo' fica latente, lembrando-nos que a melhor fase da vida pode, sim, ser vivida em todos os momentos, ainda que somente revivida em doses homeopáticas.

Feliz Dia das Crianças minha filha!


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Independência


Contexto: Terça-feira, 19 horas, retorno da escola. Trânsito parado, chuva, véspera de feriado...

- Mãe, sabe o que eu aprendi hoje na escola?

- O quê, filha?

- Aprendi que amanhã se comemora o dia da independência do Brasil.

- Isso mesmo!

- Mas não foi só isso. A professora Rô explicou que o Brasil era mandado por um outro país, chamado Portugal, e tudo a gente precisava perguntar pra Portugal, senão a gente não podia fazer nada. Aí, quando foi esse dia 7 de setembro, o Brasil ficou independente e não precisou mais pedir nada pra Portugal. O Brasil passou a mandar em si mesmo, e isso é a independência!

- Foi isso mesmo filha! Comemoramos a nossa independência!

- Eu também, quando for adulta, vou ser independente! Mas agora, enquanto eu sou criança, você e o pai mandam na minha vida, porque eu não consigo fazer as coisas sozinha. Mas quando eu conseguir, aí vocês não precisam mais mandar em mim...aí vocês ficam velhinhos e eu cuido de vocês!!!

- (sem palavras)

O melhor da minha independência é vivenciar a maternidade!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ensinamentos...

                                           

Carta de um pai, ao professor de seu filho, em 1830.


“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.


Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”

Abraham Lincoln, 1830-Presidente dos Estados Unidos.”


terça-feira, 28 de junho de 2011

Gatinho na maçaneta


Era para ser só mais um post no Artes na Vida de Isa, mas na verdade esse gatinho de maçaneta é muito mais do que uma simples aventura artesanal minha.

Começou assim, meio despretensiosamente. Para fazer o tapete divertido de feltro acabei comprando muita quantidade do material e o troço ficou encalhado por aqui. Depois, começou uma pesquisa básica pelos blogs artesanais e muitas ideias surgiram para dar um sentido em todo aquele feltro que estava por aqui...

E então veio a conversa sobre sentimentos, o quanto era importante conversar com a mamãe e o papai sobre o que está se passando na cabecinha da minha pequena de seis anos. Construímos juntas a ideia de um gatinho que pudesse ficar na maçaneta, e que sinalizasse alguma coisa para os adultos.

Primeiro, o caso ficou decidido pela forma de um gatinho, depois, que ficaria na maçaneta. Mas o que ele deveria manifestar? 

- Ah, já sei mãe, olhinhos abertos e olhinhos fechados, assim vocês saberão quando eu estou acordada, e quando eu estou dormindo!!!

- Acho uma ideia legal, filha, mas a mãe sempre sabe quando você está dormindo ou acordada. Preferia outra coisa... que tal um lado do gatinho feliz e o outro lado triste?



- Ótima ideia mãe! Então quando eu estiver alegre, é só colocar o lado alegre, e se eu estiver triste, coloco o lado triste...

- Isso filha, tá decidido!

- E o que a gente vai fazer se eu colocar o lado triste na porta?

- Vamos combinar assim: toda vez que você colocar o lado triste, nós vamos conversar sobre os motivos que deixaram você triste, combinado?

- Combinado! E aí eu não vou ficar mais triste, porque você vai me ajudar e me explicar tudo direitinho, certo?

- Certo!

- Eu acho que o lado alegre vai ser bem mais usado!!!

(Felicidade é um gatinho de maçaneta)

terça-feira, 14 de junho de 2011

O mapa do pirata


Eu sempre adorei os trabalhos escolares, como aluna. Dedicava-me ao máximo, queria fazer bem caprichado e, de quebra, aprendia sem perceber. Tenho ainda em minha lembrança os trabalhos por mim considerados os mais difíceis, aqueles marcantes, e são boas lembranças.

Hoje, revivo tudo isso através da minha filha, que neste ano está iniciando no mundo das tarefas escolares mais apuradas. Para esta quarta-feira ela deverá apresentar um trabalho sobre piratas, o tema que impulsiona o aprendizado, a pesquisa, as palavras, matemática, raciocínio, história (essa interdisciplinariedade é demais, não?).

Começamos a pensar juntos...ela eu e o maridão. Surgiu a ideia de confeccionar um mapa de cartolina, envelhecido (com café!), amassado e rasgado, onde constasse a formação da palavra 'PIRATAS', sendo que cada letra era extraída de algo também relacionado ao tema principal. E lá fomos nós para a pesquisa. Mr. Google ajudou muito, nem tive saudades da Enciclopédia Barsa dos meus velhos tempos.

P, de Papagaio, ave melhor amiga dos piratas... e sabe por quê? Simplesmente porque ela repete as ordens dos piratas, enfatizando o mando e a subordinação dos marujos. 1X0 pro trabalho escolar, essa eu não sabia.

I, extraído da palavra Navio, embarcação usada pelos piratas... tudo bem, essa eu sabia, 1x1.

R, do nome dado às típicas bandeiras dos piratas, Jolly Roger, duvido que você soubesse... eu não sabia, portanto, 2X1

A, do meio da palavra relacionada à pirataria moderna, falsificação. A pequena explica muito bem o que é, relacionando a falsificação a algo muito negativo e errado. Ponto para o trabalho de novo, 3x1

T, de tesouro, aquilo que é enterrado pelos piratas. Facinho, 3x2

A, agora extraído do nome do mais famoso pirata inglês, Barba Negra. Ele devia ser muito feio com essa barba enorme, concluiu minha filha. É, devia mesmo... Mãe, ele era inglês porque nasceu na Inglaterra? Sim, sim, (eu boquiaberta), mais um ponto para o trabalho, 4x2.

S, do nome de Dias Velho, o bandeirante que povoou a Ilha de Santa Catarina, morto pelos piratas. E o que é a Ilha de Santa Catarina, filha? - Ora, mãe, é a nossa ilha, a nossa cidade...ah, sim, claro! Indiscutível, vitória de 5 X 2 para o trabalho, para a pesquisa, para o tema, para o colégio, para nós três, para todo mundo.

O melhor de tudo é observar ela 'simulando' a apresentação do trabalho para os colegas...Sim, não basta apenas ter a ideia e executar. A exigência de hoje também determina a apresentação em sala de aula. Posso garantir que entendeu tudinho. E eu também.

E não é que a gente aprende também com trabalhos do 1º ano? Voltei aos meus 6 anos de idade hoje...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Senta que lá vem a história...


Já não é mais novidade que minha filha está na fase de alfabetização, contei isso por aqui há pouco tempo atrás. Não imaginava como seria esta fase, estava bem apreensiva até, mas o fato é que estou curtindo muito. Percebo que minha pequena se esforça muito, não larga seus livros e gibis, e o tempo todo está observando placas nas ruas, letreiros, manchetes de jornais e revistas, numa soletração só...

E como a evolução está sendo rápida! Antes, só as letras de fôrma eram lidas, com muita dificuldade. Agora, pouco mais de dois meses depois de iniciadas as aulas, até as letras cursivas estão sendo lidas e imitadas... e as dificuldades já não são tantas assim. Uma palavrinha ou outra ainda trava, mas a velocidade da leitura já é marcante, e até a entonação de voz e a preocupação com a pontuação já estão presentes.

É lindo de ver.

Um mundo de letras se abre aos olhos dela... letras agora que fazem sentido, letras agora que contam uma história... À noite, antes de dormir, não preciso mais ler história alguma... eu é que sento pra ouvir a história escolhida e contada por ela... essa imagem ficará guardada para sempre na minha lembrança!

Como é bom, como é gratificante! Parabéns minha pequena leitora!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Depois da festa mil e dez...


Pois então. Estou me recuperando do grande evento. A festa foi realmente um sucesso. Muitos risos e gargalhadas para todos os lados, crianças saindo pelo ladrão, diversão total.
Alguns amiguinhos vinham até mim e diziam com a boca cheia de salgadinho...Tia, a festa tá muito maneira, tô adorando... festa mil e dez, gritou outro empolgado...

Ainda estou sentindo as pernas pulsarem, praticamente 48 horas depois. A tensão é grande, sempre que recebo muitas pessoas. Quero saber se estão todos bem servidos, se divertindo, conversando, se alguém está deslocado, enfim, tudo aos meus olhos virginianos tem que sair certinho... E isso cansa pacas!

A tarde estava linda, o cenário deslumbrante do pôr do sol no mar. Curti até algumas fotos com o maridão, aproveitando a cena. Comemorar o aniversário da filha também é ganhar afagos, rever amigos, colocar fofocas em dia, e rir demais até a barriga doer.

E ver o sorriso da filhota feliz... mãe, foi a melhor festa da minha vida!!!! Vocês foram demais, eu adorei tudo... disse ela, a nós dois, ao final do evento.

Realmente, não tem preço.

O garotinho empolgado tinha razão... Foi mesmo, festa mil e dez!!!

sábado, 9 de abril de 2011

Comemorações



Meu bebê nasceu aos seis minutos dia 10/04/2005. Tinha 47 cm e pesava 3,150 kg.  Mudou tudo, foi meu divisor de águas, preencheu-me instantaneamente e permitiu que vivesse a melhor experiência de minha vida.




Minha linda filha. Nesta foto você tinha menos de um aninho. Cabelos ainda ralos, amarrados caprichosamente para penteados elaborados... Os primeiros dentinhos começando a vir, muitas experiências ainda por conhecer... sabores, palavras, até alguns tombos também...


Aqui com dois aninhos. O sorriso ainda mais largo, uma vivacidade enorme, olhos de jaboticaba brilhantes, cabelinhos mais fartos...andar firme, apostando as primeiras corridas, curiosidade a mil e quinhentos por hora...


Seus três anos também foram repletos de boas vivências. Vocabulário crescente, esperteza ímpar, perguntas de deixar os adultos atrapalhados, muuuuuitos 'por quês'. Suas frases prediletas eram...eu sei fazer sozinha mãe, eu consigo, eu posso, pode deixar mãe, eu sei... e você crescia...



 ...e com quatro anos, cada vez mais amigos fazia. Vivia os personagens das histórias como se dentro delas estivesse, decifrava os cliques e sites da web com enorme facilidade, iniciava no mundo das letras e adorava escrever o seu nome o tempo todo.



Completaste cinco anos, tão minha companheira, tão minha amiga. Como passou rápido tudo isto. Te olho dormindo e não acredito como não percebi que você cresceu tanto assim...


Chegamos até aqui, e você prestes a completar seus seis anos. Fizemos isto tudo juntas. Você foi paciente com sua mãe de primeira viagem e construiu junto comigo nossa linda história de amor, companheirismo, amizade e parceria.

Dia 10 de abril será um grande dia. Lindo e feliz como você. E nós duas sempre prontas para os próximos anos que virão... Comemoro todos os dias a sua chegada, mas domingo será especial demais.

Feliz aniversário, minha flor amada!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Dilema de mãe...babá...será?


Desde que minha pequena nasceu, e agora já nem é tão pequena assim, já estava tudo muito resolvido na minha cabeça. Sou uma mãe que trabalha, sempre trabalhei e quero continuar assim, isto também está resolvido. Assim optando, obviamente, houve, em algum momento, a necessidade de delegar a alguém a tarefa de cuidar de minha filha.

Nunca me passou pela cabeça contratar uma babá. E pelamordedeus, não condeno, de jeito nenhum, quem tenha assim optado. É uma coisa minha, uma convicção só minha, experiências que quero aqui compartilhar, relatadas sob meu ponto de vista. 

O serviço doméstico em geral, para mim, é muito complicado. Contratar faxineira então, nem se fala. Passo por um processo duro de ter que abrir mão da minha intimidade, do meu canto, da minha independência para permitir que alguém circule pela minha casa. Tanto é que muitas vezes, como agora, prefiro executar todas as tarefas da casa simplesmente para não ter que abrir mão disto tudo. Uma rebeldia que me custa caro, mas por enquanto, está tudo sob controle (eu acho).

Com certeza, por isso, a dificuldade em aceitar uma babá tenha sido maior. Obviamente, que se contratasse uma, além de selecionar rigorosamente, gostaria que fosse uma profissional de qualidade, não uma aventureira, e que tivesse muito amor pela profissão e pela criança. Sinceramente, é aí que mora o perigo todo. Além de depender exclusivamente da pessoa para trabalhar, ou seja, se a babá adoecer ou por qualquer outro motivo faltar ao trabalho ou chegar atrasada, tudo desmorona (quem é mãe sabe exatamente o que é ter sua rotina desmoronada por um simples detalhe), tem ainda o fato de obrigatoriamente criar-se vínculos afetivos com seu filho, numa proporção tão intensa que pode ser confuso, para a criança, para a mãe e para a babá, em seus diversos papéis.

É claro que se a mãe, chegando do trabalho, parte para o seu papel integral, esses reflexos amenizam, e muito. Mas talvez, na prática, nem seja tão simples assim. Já vi de perto relatos dramáticos sobre esses vínculos naturalmente feitos, dia a dia, devagarzinho, quase sem perceber e que por instantes maiores do que o conveniente, geraram troca de papéis difíceis de reverter.

Já soube de criança de três anos que teve que ir a psicólogo para saber reconhecer sua mãe como mãe, e não a babá. Já vi babá chorar de saudade, junto com a criança, com a mãe assistindo à cena, sem reações. Já vi babá tomar lugar de mãe, educando e dando limites ao pequeno, muito além do necessário. Já soube de relatos de maus tratos também.

Isto tudo é muito complicado. A escolha entre a babá e a escola infantil é realmente um grande dilema e continuará sendo para todo sempre. Existem prós e contras para todos os lados. Mas eu, no meu mundinho e na minha pouca experiência, sou uma defensora árdua da escolinha infantil. Além de todo este lado estar resolvido, pois os vínculos são profissionais e passageiros, no limite certo do carinho e da responsabilidade, vem ainda a integração social, a brincadeira com amiguinhos da mesma idade, o treino para a paciência e para a não atenção exclusiva (sim, a vida é dura mesmo!), vem o 'saber dividir', vem o aprendizado e um salto no desenvolvimento intelectual (linguagem, reflexos, coordenação motora, fala, e tantos outros) impressionante.

Para a mãe, é muito mais fácil cobrar daquelas profissionais do que de uma babá que fica, sozinha, em sua casa, com seu filho. Saberia ela lidar bem com uma bronca daquelas? Ou uma cobrança mais forte? Não sei, são perguntas que nunca quis responder e já decidi rapidinho o que fazer. E - S - C- O - L - I - N - H - A.

Portanto, se você está neste dilema, e tenho muitas amigas, cunhadas, queridas, nesta situação, não hesite em optar por uma escolinha. Confesso que já conheci tantas profissionais de gabarito, dedicadas, responsáveis e incríveis que não vejo razão nenhuma para ter medo da escolha.

Seja criteriosa ao visitar as escolas, opte por alguma perto de seu trabalho (para as  emergências) e fique sempre muito atenta, todos os dias, em tudo que circunda a vida de seu filho, que o resultado é garantido!
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