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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Os cachorros de minha rua


Então. Estou correndo três vezes na semana. E em outros dois dias, faço Pilates, já há dois anos. São cinco vezes na semana de dedicação à atividade esportiva.

Na corrida, não é mais a primeira semana, já é a terceira...segundas, quartas e sábados estou encarando uma rotina completamente diferente nos últimos 34 anos de minha vida. E estou gostando...

Costumo dizer que algum bicho me mordeu, não sei bem ao certo o que foi, mas tudo isto vem me motivando muito nos últimos tempos. Uma modificação muito mais interna do que externa, daquelas que se sente nas atitudes, no esforço, no empenho. Já me inscrevi para uma corrida de revezamento e não quero parar.

Sempre fui uma eterna iniciante em matérias esportivas. Sempre começava, começava e logo desistia. E começava de novo. Na entrevista com o profissional, mais uma vez estava escrito 'iniciante' ou ' sedentária'. Humf, pensava eu, de novo...

Agora não. Percebi que é algo definitivo em minha vida. Eu, que quero uma velhice saudável e autônoma, saúde, qualidade de vida, paz com a balança, índices de colesterol e glicemia controlados, tive que, definitivamente fazer uma escolha para alcançar tudo isto. Acho que encontrei minha fórmula.

Hoje, mais uma quarta feira, fui correr novamente, e bati um novo recorde pessoal, 6km, 45 minutos de corrida sem parar um só segundo. 

No primeiro dia, esbaforida, só conseguia atingir os 2 minutos, intervalando um com caminhada. A cachorrada da rua latia sem parar quando eu passava... uma senhora que conversava com uma amiga, escutei comentar...'preciso caminhar como esta moça aí...'. Detalhe, eu estava correndo, correndo com todas as minhas forças internas, tentando me movimentar o mais rápido possível e ela disse que eu estava 'caminhando'... tive que rir.

Depois de três semanas, algumas coisas mudaram.

Os cachorros da minha rua já me conhecem agora. Sabem que sou eu, reconhecem minhas passadas, não latem mais na minha passagem. Enquanto ultrapassava os caminhantes, ouvi uma delas dizer 'vai fundo'... já estou, aparentemente, correndo, ora pois. O incentivo me fez muito bem, sempre fará, não dispenso.

Nunca mais quero ser iniciante, neste quesito... e não serei. Os cachorros de minha rua não vão sentir minha falta...

domingo, 1 de maio de 2011

Outros mares


Definitivamente, estou navegando em outros mares. Neste último sábado tive uma prova concreta disto. Quer saber o que aconteceu? Vou contar tim tim por tim tim.

Primeira parte: Já não é de hoje que estou processando novos hábitos em minha vida, hábitos saudáveis, e está mais difícil do que imaginava. Embora não tenha desistido da ideia até então, muitas sabotagens ocorriam, tanto minhas quanto de fontes alheias à minha vontade.

Segunda Parte: Eis que me surge nas mãos um livro, Caminhos e Escolhas, de Abílio Diniz. Li em três dias, no feriadão de Páscoa. O livro em si não tem nada de muito novo, a linguagem do autor é por vezes arrogante e sem sal, mas extraí dali grandes ensinamentos, afinal. Não sei dizer ao certo, mas algo me tocou profundamente, um estímulo, uma  vontade, sei lá. Quis mudar e senti grande energia em fazê-lo, muito por causa dos exemplos citados no livro, muito por acordar minhas próprias vontades adormecidas.

Terceira parte: a frase 'Você não é o único ser humano no mundo que sente dificuldade em fazer exercícios físicos', dita pelo meu marido enquanto conversávamos, calou-me fundo. É verdade... se todos sentem dificuldades, porque só eu desisto sempre? Tem algo errado nesta história.

Quarta parte: Semana nova iniciada, regras cumpridas à risca. Muita dificuldade, muito sono, alguns minutos de pensamentos ' o que que eu tô fazendo aqui?' e o resultado: planilha de exercícios cumprida e dieta prescrita no livro idem.

Quinta e especial parte: a trilha de sábado, convidada pelo povo da Treine Bem. Fui sozinha, após alguns ajustes familiares e logísticos. Detalhe que na sexta anterior tinha chegado em casa às 3 da manhã, vinda de um show curtido com o maridão. Acordei às 7 horas da matina, contrariando tudo e todos (inclusive minha mãe, que ficou com a minha filha, duvidou abertamente que iria, e também minha irmã Adriana), deixei o marido no trabalho e fui, lépida e faceira, reencontrar minha nova velha tribo esportista, que há tempos havia abandonado. O grupo da elite, que faz a trilha correndo partiu, o grupo dos intermediários também, eu iniciei no grupo retardatário, mais uma vez 'iniciante' na operação esportista. Calma, você logo logo pega ritmo... ah, pensei comigo, estou sempre iniciando no grupo dos caminhantes, sempre começo, desisto, começo, desisto, começo e desisto de novo. Eu já fiz esta trilha caminhando, está na hora de refazê-la de forma diferente. Decidida, conversei com o Robson, querido treinador e preparado físico do grupo dizendo: vou correr alguns trechos, até mais....e fui. Em pouco tempo, as vozes do grupo retardatário já não era mais ouvida por mim. Ficou só o silêncio da trilha da Costa da Lagoa que, a parti dali, percorri sozinha. Corri os trechos planos, caminhei intensamente nos trechos com pedras e lama, só curtindo o visual e a natureza, escalei as pedras, encarei descidas, raízes e lama. Logo, atingi um outro grupo de caminhantes, que havia iniciado a trilha bem antes de nós. Aquilo foi maravilhoso. Ultrapassei-os correndo, senti-me diferente, mais forte, mais capaz, embora as pernas já estivesse sentindo bastante. Não parei um só momento. No caminho, aproveitando a vista deslumbrante, pensava no imenso número de pessoas que naquela mesma hora, se empanturrava de comida ou se afundava num sofá. Pensava na idosa que eu queria ser no futuro, nas escolhas que tinha de fazer para mudar, nos planos mais saudáveis que pretendia impor para mim mesma. No silêncio e contando comigo e com minhas pernas, segui em frente, milhares de pensamentos fluindo, um borbulhar intenso de perspectivas coloridas. Foi uma tremenda trilha: diferente, emocionante, maravilhosa. Uma descoberta interior incrível, um verdadeiro marco em minha vida.
Fez-me bem, muito bem.

Ao final de tudo, a conversa com o grupo, num restaurante da Costa, foi ainda mais vibrante. Muitos exemplos de superação, de vitórias e de dificuldades encaradas. Percebi que a diferença entre um atleta de elite e um iniciante é apenas a proporção do seu desafio. Enquanto o iniciante luta para conseguir disciplina e avançar 100 metros correndo, com seu fôlego de minhoca, o atleta tem que encarar uma maratona de 42 quilômetros sob sol forte sem perder o ritmo. Todos lutam por objetivos, modestos ou ousados, mas lutam... e avançam. Já não tive mais vergonha de ser iniciante...mas tenho a certeza qeu agora nunca mais terei que ser iniciante novamente. Vou avançar, a partir de aqui, para um outro rumo, uma outra história, para constantes e novos desafios para minha mente e meu corpo. Vou superar medos, angústias, preguiças, sonos, maus hábitos alimentares, e de presente ganho saúde de ferro, velhice autônoma e felicidade por ter a certeza de conseguir superar tudo o que quero.

Obrigada Treine Bem, Obrigada Abílio Diniz, Obrigada aos que duvidaram. Todas as etapas foram importantes para eu chegar até aqui. Agora quero mais.

Não quero provar nada a ninguém...tenho somente em mim os meus desafios e as minhas metas a alcançar... Definitivamente, navego em outros mares, que só eu sei a dimensão e os desafios que me esperam, mas quero, intensamente, enfrentá-los em nome de algo maior, grandioso e duradouro...eu mesma, numa versão melhorada e amadurecida!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Pequenas vitórias

Hoje meu dia foi especial. Diferente, até, eu diria. Manhã tranquila, tarde nem tanto, mas à noite...

Ainda não contei por aqui que agora faço parte de um Clube. Chama-se Clube Viva Bem. Pra quem ainda não conhece, divulgo www.treinebem.com

Trata-se de um grupo de pessoas cujo objetivo único é a melhoria da qualidade de vida. Como estava precisando de algo assim, entrei na vibe, só por curiosidade. Relato aqui minha primeira grande vitória que compartilho com todos agora.

Uma das minhas maiores características pessoais é a aversão total a qualquer exercício físico. Nunca gostei, sempre achei um saco, uma obrigação, dor no corpo, tudo doído no dia seguinte, enfim, uma coisa totalmente desnecessária. Nunca entendi, por exemplo, a 'grande sensação' de fazer uma trilha, escalar uma montanha (subir tudo aquilo pra depois descer? dããããã), correr, caminhar, nadar, andar de bicicleta. Iron Man então, coisa de maluco. Suar o corpo, arghhhh, coisa nojenta.

Pois é, até eu me surpreendi hoje.

Faz duas semanas que estou no tal clube. Até agora, compareci a todos os treinos, duas vezes por semana. Comecei com caminhada forte, alguns trotes, quase morri. Meu par de pernas parecia que tinha duas toneladas, de tão pesadas que ficaram após uns trinta passos de corrida. A garganta secou tanto que chegava a arder...meu deus, não vou conseguir passar disso, que vergonha. Definitivamente, não fui feita pra isso, pensei... pra que estou insistindo nisso?

Nem sei bem porque, insisti.

Hoje, minha gente amiga, pasmem, corri. Isso mesmo, consegui correr. Mais ou menos um quilômetro e meio, sem parar e sem morrer. Assim, puft, consegui. De repente, estava na caminhada, pensando na vida, ritmo acelerado, algo veio em minha mente...que vontade de correr, lá vou eu pra mais um trechinho...e fui. E o trechinho foi ficando maior e maior e maior, até que cheguei ao marco final...não conseguirei aqui descrever a sensação. Cheguei a me emocionar, abraçando a professora. Chorava igual uma criançinha que tinha conseguido encaixar o brinquedo pela primeira vez.

Acho que entendi o que leva tanta gente a se exercitar. Adorei a sensação. Vou continuar firme e forte. Essa minha pequena vitória foi especialmente saborosa.




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