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sábado, 12 de maio de 2012

Maternidade


Dias das mães se aproximando e o tema merece mais do que respeito. Merece post especial.

Eu poderia aqui escrever sobre minha mãe, sobre a mãe de minha mãe, sobre as mães que conheço, sobre mim mesma, mulheres especiais que trilham o caminho da maternidade...mas escolho algo diferente.

Quero escrever sobre sentimentos maternos. Abordando assim, consigo escrever sobre tudo o que acima expus, de modo ainda mais carinhoso e sensível, tal como as mães são.

Difícil explicar e, pior ainda, traduzir em palavras, a ideia de gerar um filho. Tem lá os seus desconfortos e ansiedades, período de medos e tiros no escuro, mas a grande verdade é que a vida brotando no ventre é muito superior ao desconhecido. É forte, é poderoso, é mágico. A maioria de nós mergulha de cabeça na experiência. Comigo também foi assim.

Descobri que estava grávida no banheiro do escritório em que trabalhava já há muitos anos. Aquele simples teste de farmácia, que até hoje guardo com as duas fitinhas azuis marcadas, fez mudar minha vida para sempre. Tanto que nem é possível lembrar, hoje, de como era, como fui e como minha vida se apresentava antes daquele dia. Isso porque tudo só passou a fazer sentido a partir daquele momento.

Levei um susto. Por alguns segundos, o tempo parou...

A primeira sensação que tive foi de que nunca mais estaria sozinha. Logo eu, que era tão individualista... Alguém, agora, dependeria exclusivamente de mim. E esta dependência perduraria por bons anos e só eu mesma conseguiria suprir-lhe os desejos mais básicos de sobrevivência, convivência, experiência, ciência, e todas as inúmeras "ências" que se apresentassem. Isto foi assustador. Não havia mais retorno, era preciso encarar de frente o desafio.

Medo...Insegurança...Dúvida. Será que conseguirei transmitir algo de bom? Tenho algo de bom? Isso é bom? Perguntas pipocavam e latejavam em meus pensamentos e só aumentavam junto com a circunferência da minha barriga, num processo lento e contínuo...

A maternidade coloca à prova, de imediato, os teus próprios valores. Filtros são inevitáveis...

O que é essencial à vida? Que valores quero replicar e fazer perpetuar? Qual o limite da minha metade de responsabilidade perante essa criança? Existe limite, existe metade ou apenas um conjunto indivisível entre pai, mãe e filho? Conscientemente, concentrei-me no papel de mãe. Era o que competia a mim.

Foi o maior exercício de auto conhecimento a que fui exposta. Tive que aprender rápido e deixar pronto, junto com meu corpo, minha disposição e meus sentidos, as ações e planejamentos para os próximos dois anos... E depois por mais três, e agora já parto para o terceiro plano temporal.

Fiz assim, por etapas. Virginiano é bicho irritante. Para mim, foi bom. Consegui, dessa forma, ter lucidez nesse emaranhado de emoções e descobertas infindáveis. Viver uma experiência de cada vez pareceu-me mais lógico e permitiu-me intensificar as emoções.

Facilitou muito o grande exemplo que tenho como mãe. Puxando pela memória (sim, maternidade também te faz voltar ao passado), foi simples reviver os momentos do cotidiano e replicar minha maternidade na mesma proporção e força da forma como fui cuidada e, mais do que isso, conduzida. Repeti, sem medo de plágio, sem pedir autorização. Em time que está ganhando não se mexe. Minha mãe acertou muito, acertou demais. Trilhar outro caminho, pra quê?

Nos momentos em que a insegurança bate, e ainda são muitos, essa busca ao passado me acalma e traz confiança. Só transmite confiança quem acredita. Eu acredito que o que faço é o melhor... A energia flui e o amor é o maior alimento dessa energia... e amor de mãe...isso me sobra aos montes. Vi e senti amor de mãe em doses extraordinárias... Transferir esse mesmo amor à minha filha foi simples demais. Os créditos desta história não são só meus.

O medo e a insegurança do início, do meio, e até quando o fim chegar, foram e sempre serão instrumentos para a construção de certezas. Em se tratando de maternidade, não há segunda chance. A cada encruzilhada (e são muitas, sempre), o caminho escolhido se subdivide lá na frente de novo, enquanto que o não escolhido se dissolve como castelo de areia ao vento. Sendo assim, melhor escolher na certeza...dominar o medo e a angústia e dedicar-se a fazer sempre o seu melhor.

As retribuições de todo o esforço costumam vir em dobro e sob diversas formas: beijos melecados, desenhos significativos, cheiros doces, polegares dizendo 'sim', frases surpreendentes, olhares carinhosos, um sem número de 'eu te amo' na mesma proporção do chamado 'manhê!', ...e tudo isso constrói mais certezas, num ciclo saboroso e revigorante.

Tudo fez sentido a partir daquelas duas tirinhas azuis.

Não conheço nada melhor do que ser mãe, do que ter uma mãe e de sentir, transmitir e pulsar, todos os dias, aquele que é o amor mais puro e mais sublime de todos. Amor que não pede passagem, que não cobra e nem espera, amor que dedica, alimenta e silencia. Ensina e engrandece. Amor que conhece e afaga, renasce e brota, acalma e faz bem. Amor que renuncia e dedica, amor que não se explica, amor que, apenas, se aprende vivendo.

Agradeço a Deus por ter sido duplamente agraciada: ter e ser mãe é privilégio de poucas.

Feliz Dia das Mães!!

domingo, 6 de maio de 2012

Lições do mundo craft


Já não é de hoje que estou encantada pelo mundo craft. Essa dedicação já deve estar alcançando quase um ano e, de lá pra cá, ganhei muito mais do que me dediquei.

Mais do que um simples hobby, aprendi a conviver e dominar com meus imediatismos, ansiedades e impaciências. Afinal, uma peça, não fica pronta e acabada no mesmo dia, no momento em que eu determinar, mas sim, apenas quando todos os elementos, todas as partes do conjunto, forem finalizadas.

Ontem fui a uma feira de patchwork, que aconteceu aqui na minha cidade. Foi o Floripa Quilt, um festival que reuniu quilteiras e crafteiras do país todo. Trabalhos e mais trabalhos eram delicadamente distribuídos por vários stands. Ideias, mimos e carinhos de todos os tipos. Pessoas de todas as idades admiravam, compravam, se encantavam com os trabalhos de, igualmente, profissionais de todas as idades.

Eu, do meu lado, fiquei impressionada com algumas peças. O tempo de dedicação ali depositado parecia infinito, além de, é claro, o capricho e a perfeição que eram um detalhe à parte. Uma lição ficou: a capacidade de se criar coisas lindas supera qualquer dificuldade.

E outra lição: vi que não estou tão atrás assim, mesmo sendo praticamente iniciante e auto didata: meus olhos virginianos alcançaram facilmente defeitos horrorosos nas peças em patchwork embutido. Encorajei-me um pouco mais a avançar, na certeza de que minhas peças são de qualidade.

Reencontrei amigas de longa data, mães de amigas de longa data em mais uma tarde agradável com minha mãe, também crafteira de mão cheia. Rimos, suspiramos, acalmamos, nos inspiramos...

Novos trabalhos virão...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Torradas queimadas


Sentei-me para escrever mais um post. Antes disso, resolvi apenas abrir meu e-mail. Mais uma das tantas vezes que chequei a caixa de mensagens hoje...
Lá, havia uma, de uma querida amiga, Patrícia. Aquela amiga de infância, cujas memórias são doces e engraçadas, e que, depois de tantos anos, as redes virtuais permitem nova aproximação e encontros.
Abri, assim, imaginando que o teor da mensagem fosse, apenas, os detalhes do café que estamos planejando. Mas foi mais do que isso.
Recebi a mensagem abaixo. Linda e exatamente sobre o assunto a que me dispunha, inicialmente, a escrever.
Um texto tão simples e tocante, que pode sintetizar o modo com o qual deveríamos nos relacionar com todas as pessoas e com o mundo em que, infelizmente, predominam a intolerância, o preconceito e a ingratidão. E assim chegou até mim 'Torradas Queimadas', cujo autor é desconhecido, mas sua intenção e sensibilidade jamais deveriam sê-lo:


TORRADAS QUEIMADAS!

Quando eu ainda era um menino, ocasionalmente, minha mãe gostava de fazer um
lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente
de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho,
muito duro.

Naquela noite, minha mãe pôs um prato de ovos, linguiça e torradas
bastante queimadas, defronte ao meu pai. Eu me lembro de ter esperado
um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez, foi pegar a sua
torrada, sorrir para minha mãe e me perguntar como tinha sido o meu dia, na
escola.

Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele
lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada bocado.

Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por
haver queimado a torrada.
E eu nunca esquecerei o que ele disse:
" - Adorei a torrada queimada..."

Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai,
eu lhe perguntei se ele tinha realmente gostado da torrada queimada.
Ele me envolveu em seus braços e me disse:

" - Companheiro, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava
realmente cansada... Além disso, uma torrada queimada não faz mal a
ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu
também não sou o melhor marido, empregado, ou cozinheiro, talvez nem o
melhor pai, mesmo que tente todos os dias!"

O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas
alheias, escolhendo relevar as diferenças entre uns e outros, é uma das
chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.

Desde que eu e sua mãe nos unimos, aprendemos, os dois, a suprir um as
falhas do outro. Eu sei cozinhar muito pouco, mas aprendi a deixar uma
panela de alumínio brilhando.
Ela não sabe usar a furadeira, mas após minhas reformas, ela faz tudo ficar
cheiroso, de tão limpo. Eu não sei fazer uma lasanha como ela, mas ela não
sabe assar uma carne como eu. Eu nunca soube fazer você dormir, mas comigo
você tomava banho rápido, sem reclamar.
A soma de nós dois monta o mundo que você recebeu e que te apoia, eu e ela
nos completamos. Nossa família deve aproveitar este nosso universo enquanto
temos os dois presentes. Não que mais tarde, o dia que um partir, este mundo
vá desmoronar, não vai. Novamente teremos que aprender e nos adaptar para
fazer o melhor.

De fato, poderíamos estender esta lição para qualquer tipo de
relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos, colegas e com
amigos.

Então filho, se esforce para ser sempre tolerante, principalmente com quem
dedica o precioso tempo da vida, a você e ao próximo.

"As pessoas sempre se esquecerão do que você lhes fez, ou do que lhes disse.
Mas nunca esquecerão o modo pelo qual você as fez se sentir."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quanto tempo...


Tenho certeza que nunca fiquei tanto tempo sem escrever algo no blog. Esse projeto que, de forma totalmente despretensiosa, chegou de mansinho e garantiu lugar cativo no meu cotidiano.

Mais do que um blog, ele é um diário de uma vida, vivida sob muitas perspectivas. Um caminho cujo traçado se faz aos poucos, lentamente, e tão inesperado quanto um dia de sol que de repente escurece, mudando todos os planos.

Neste mês de ausência não forçada, permiti-me fazer outras coisas, apaixonar-me por outras estradas, outras formas de viver meus momentos quase raros de lazer, para esvaziar a mente das poluições cotidianas.

Descobri o artesanato, a dança, a vida leve... Não houve abandono do blog, muito ao contrário... Frequentemente passava por aqui. Não para escrever, mas sim para rememorar, reler, rever tudo que já passei, escrito nas linhas e principalmente nas entrelinhas. Estas são as melhores. Risadas, lágrimas, sustos, altos e baixos. Tem de tudo por aqui... Assim como a vida, a vida de qualquer um.

Os fatos falam por si só. Fatos remetem a reflexões de quem quer olhar o todo sob novas formas. Desfocar, às vezes, faz bem. Muda trajetórias, revê conceitos, refaz o conjunto.

Estou de volta, repaginada, talvez, mas sempre com a cabeça cheia de ideias. Estou viva!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Quando os sinos tocam...

 

O post de hoje é inspirado em um texto que chegou assim, despretensiosamente, às minhas mãos, por meio de uma sensível amiga. Disse ela que tinha certeza de que eu adoraria lê-lo. Acertou em cheio.

O texto é de José Saramago, este renomado escritor português, que justifica ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 (só?), tamanha sensibilidade e perfeição de seus textos. Tem como título a intrigante metáfora: Da justiça à democracia, passando pelos sinos.

Obviamente, não chego aos pés de Saramago, mas dou-me ao luxo de parafraseá-lo quantas vezes entender possível, ao longo do que hoje resolvi escrever.

Em síntese, Saramago buscou provocar seu leitor a refletir sobre justiça e democracia, estes conceitos abstratos a que tantas vezes foram cenários de inúmeros pensamentos meus. Atualmente, o que penso sobre estas duas concepções não chegam perto da ideia original que tinha, muito antes de pensar que dedicaria minha vida profissional ao Direito.

Teoricamente, a sociedade defende a justiça com imenso afinco, esquecendo-se que, na prática, muito mais se lhe provoca a morte. Todos os dias. Agora mesmo, perto ou longe e até ao lado de nossa casa, alguém a está matando. E se há morte é como se a justiça nunca tivesse existido para os que nela confiam. Saramago provoca ainda mais, criticando ferrenhamente a justiça que se envolve em túnicas teatrais ou a que nos confunde com flores de vã retórica judicialista. Aquela que permite vendar-lhe os olhos ou viciar os pesos da balança. Aquela da espada que sempre corta mais para um lado do que para o outro. Quer exaltar, ao contrário, a justiça idealizada como uma companheira cotidiana da sociedade, para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo de ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito com indispensável à vida é o alimento do corpo.

Quando tudo se encontra limitado ao simples exercício do cumprimento das obrigações cotidianas nada mais há senão o dócil e burocratizado sistema (in)consciente, culminando num adormecimento social flagrante. E, utilizando metáforas de forma magistral, Saramago ainda alerta que, assim, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização econômica.

Com a democracia não é diferente. Classicamente, é um governo do povo, pelo povo e para o povo. Bela teoria, mais uma vez. Contudo, o que se tem é uma gestão falsamente democrática, concebida a partir de uma centelha chamada voto. É verdade que somos reconhecidamente cidadãos eleitores, capazes de votar, mas nossas escolhas são limitadas a segmentos partidários compostos apenas de relevância numérica e de incontáveis combinações políticas duvidosas.

Podemos, sim, desbancar um governo e pôr outro no lugar. Saramago provoca... será mesmo? Convida-nos a refletir afirmando que o voto não teve, não tem nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa e gira o globo: o poder econômico. Grande parte desse poder é gerenciado por gigantes que, de acordo com suas estratégias de domínio, distanciam-se, sem culpa, do bem comum, do coletivo e de tudo que, por definição, é próprio da democracia.

No fundo, no fundo, todos sabemos que é essa a crueldade real, mas por algum automatismo verbal ou mental nos forçamos a não enxergar o que está diante dos nossos olhos e continuamos a falar de democracia como se fosse algo vivo e dinâmico, real e concreto, quando ela é apenas um conjunto de formas ocas, inócuas e ritualizadas. E por uma espécie esquisita de auto proteção, esquecemos que alguma parcela de culpa nos cabe, e nos forçamos a também girar a roda da mesma maneira que dantes. Assim, reproduzimos e nos tornamos meros comissários políticos do poder econômico, com sua objetiva missão de produzir leis convenientes, para depois, envolvidas nos açúcares da publicidade oficial, serem introduzidas na sociedade sem demandar protestos, exceto pelas minorias baderneiras eternamentes descontentes. Sim, os descontentes são taxados de baderneiros. Simples assim. E o grito que poderia ser o início de um grande berro é sonoramente reduzido a ruído irritante, aquele que se quer desligar a qualquer custo.

E, enfim, tudo volta ao seu ciclo normal. Engano, mero engano. E não há pior engano do que o daquele que a si mesmo engana.

E o que têm os sinos a ver com tudo isso? Ah... só lendo Saramago pra saber...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quanto vale a sua honra?

 

A história de hoje vem de Curitiba, lida no portal G1, numa dessas minhas andanças pelas notícias virtuais do dia de hoje.

Uma senhora aposentada, de 84 anos, pagou uma dívida que fez há cinquenta anos atrás, no mercado de seu bairro. Ela deixou de pagar, na época, porque passava por sérias dificuldades financeiras, o valor de 7.940 cruzeiros.

Hoje, com orgulho, pagou sua dívida, atualizada e corrigida em R$ 150,00, referente a  um pacote de açúcar, três pacotes de café, dois quilos de arroz, um pacote de macarrão, meio quilo de banha, um quilo de feijão e um pote de margarina. O dono do mercado, que já nem se lembrava mais da tal dívida, emocionou-se com o pagamento, que não pôde ser recusado, a pedido da antiga devedora, que disse ficar ofendidíssima caso o dinheiro não fosse aceito. Até o bilhete, com as anotações da compra, foram guardados pela aposentada, que revelou ainda 'nunca ter esquecido' da dívida que fez e que não conseguira honrar, por motivos que fugiram de seu controle.

A história, simples, tocou-me profundamente. Fez-me refletir o quanto vale a honra, não aquela medida por números os cifrões, mas a que se traduz pela retidão e pela honestidade de brasileiros que, apesar de bombardeados com excessos de corrupção, falcatruas e desmandos, ainda insistem em fazer, tão somente, o que é certo. Simples assim.

Inspiração pura!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O essencial é invisível aos olhos...



Diz um conto já clássico de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) que uma velhinha, todos os dias, passava na fronteira pilotando uma lambreta, carregando um saco de areia. Desconfiado, um dos agentes fez várias batidas e nunca a flagrou transportando nada que não fosse o mero saco. 

Já vencido pelo cansaço, fez uma proposta. Jurou que nunca faria nada contra ela, mas implorou que dissesse o que contrabandeava. Ao que ela respondeu: lambreta!

Sim, o essencial é invisível aos olhos!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pulga Esperta


Viver é simplesmente uma questão estratégica. Em geral, resolver um problema é algo muito simples, demandando dois ou três neurônios e uma boa dose de observação e paciência...

Duas pulgas estavam insatisfeitas porque o sucesso das coçadas do cachorro que habitavam era muito maior do que o de suas picadas. Uma delas assim disse: - o problema é que não conseguimos voar, e assim, nossas escapadas das patas do cachorro ficam mais lentas e ele nos alcança com mais facilidade. Vamos fazer um curso de moscas para aprender a voar, pois, afinal, existem mais moscas no mundo do que pulgas, certamente é porque elas voam e as pulgas, não.

Após concluírem o curso de moscas, ainda não estavam satisfeitas. As abelhas eram melhores, pois além de voar, ainda flutuavam no ar, conseguindo levantar voo com mais agilidade e rapidez.

- Vamos para o curso de abelhas! Lá aprenderemos muitas táticas importantes para nossa sobrevivência!

Finalizado o curso de abelhas, o resultado não havia sido satisfatório. - O problema é que nosso estômago é muito pequeno. Veja só os pernilongos! Numa picada só enchem a barriga de sangue e conseguem rapidamente se alimentar. Precisamos de um curso de pernilongos!

Depois do fim do curso, as pulgas voadoras, flutuadoras e barrigudas eram facilmente percebidas pelo cachorro, que as impedia de pousar antes mesmo delas se aproximarem... Nem no lombo conseguiam mais chegar. Fracasso total...

Nisso, as pulgas, agora choronas, sem saber o que fazer, foram ultrapassadas por uma pulguinha saltitante e minúscula. Ela estava bem alimentada, forte e feliz e se dirigia ao tal cachorro que as barrigudas nem conseguiam chegar perto...

- Ei, ei, pulguinha! Como você consegue chegar em todos os cachorros e se alimentar com tanta facilidade?

- Facil! Foi só observar o cachorro por alguns instantes. Percebi que o cocoruto é o único lugar que ele não alcança com suas patas, nem com sua boca. É pra lá que eu vou e fico tranquilamente me alimentando, pelo tempo que quiser...

Essa história me faz lembrar uma frase de Albert Eisntein...

" Não se pode resolver os problemas 
utilizando o mesmo tipo de pensamento 
que usamos quando os criamos. "

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Como minha mente vê


Um ancião, deficiente visual, acabara de perder sua companheira, falecida depois de anos de convivência mansa e feliz. Sozinho, já debilitado pela idade, e ainda com suas naturais dificuldades em razão da cegueira, decidiu procurar um asilo para morar, onde teria assistência e companhia.

Chegando ao local, a atendente se aproxima, falando do local onde seria sua próxima residência... - Olha, o senhor irá gostar muito daqui... o quarto é muito arejado, sol da manhã, os móveis são dispostos de forma a facilitar o seu cotidiano, as pessoas que aqui moram são...

Eis que o velho a interrompe...

- Eu adorei, adorei mesmo, está ótimo!
- Mas eu nem lhe mostrei o local, nem o quarto ainda, senhor!
- Não precisa, minha mente já havia gostado de tudo, antes mesmo de eu entrar aqui...

Bem assim: felicidade é o resultado de uma escolha que se faz previamente e independe de qualquer acontecimento bom o ruim que acontece em sua vida.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Responsabilidades infantis


Voltando da escola, caminho arborizado e florido, um belo fim de tarde... Papo rola solto com minha pequena de seis anos, quase sete...

Perguntava eu como ela estava se sentindo no segundo ano, pois já está prestes a encerrar a segunda semana de aula e queria saber como estava sendo a coisa toda na cabecinha dela...

- Eu estou 'a-do-ran-do' mãe!!! (assim, pausadamente).
- Ah é, filha? E por que?
- É porque eu estou tendo muitas responsabilidades e estou gostando de sentir isso.
- É mesmo?
- Claro, o segundo ano está começando muito bem. Eu percebi que a gente é responsável por tudo o que faz. Tem amigos que não se comportam muito bem e eles atrapalham os outros que querem aprender. 
- Ah, isso é muito ruim, não é mesmo?
- Eu fico muito chateada e falo logo pra esse amigo, mas eles muitas vezes não dão bola e querem continuar atrapalhando os outros. Aí, não tem jeito, tem que ir pra sala do inspetor.
- Humm.
- Eu também agora sou responsável pelo dinheiro da cantina que você me dá, eu cuido direitinho. Sou responsável por cuidar da minha mochila, dos meus materiais. Eu também cuido de mim mesma, tô aprendendo. Tem até os inspetores que ficam pelo colégio que ajudam, se eu precisar. Mas eu sei que sou responsável até pelo meu tempo. Por exemplo, quando eu te prometo que vou te esperar na biblioteca, eu estou lá, aproveitando o meu tempo, lendo um livrinho, jogando uns jogos bem legais no computador. Eu gosto.
- Nossa filha, quanta coisa boa que você está aprendendo.
- É verdade. Por isso estou adorando o segundo ano. Eu até vi hoje na televisão que um ciclista morreu porque foi atropelado, pois não havia ciclovias para ela andar no espaço dele. Eu fiquei muito triste...
- É mesmo filha, é uma coisa terrível...
- Eu acho que esse nosso prefeito não tá fazendo nada certo. Nem mandou construir ciclovias.... (pausa). Mãe, será que um dia posso ser prefeita?
- Claro filha, pode sim. É um cargo de muita responsabilidade, sabia?
- Ah sim, mas eu estou aprendendo a ter responsabilidade, e estou gostando muito disso. Eu acho que vou ser uma ótima prefeita! Vou fazer ciclovias para as pessoas andarem de bicicleta e não serem atropeladas. Também vou dar um jeito nessas filas da nossa cidade, que são muitas!
- São decisões muito importante para a nossa cidade, tenho certeza que você será uma ótima prefeita, pensando assim.

Sorrisão feliz da filha, encerrando o papo... Sorrisão maior ainda da mãe, inflada de emoção...


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