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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Quanto tempo...


Tenho certeza que nunca fiquei tanto tempo sem escrever algo no blog. Esse projeto que, de forma totalmente despretensiosa, chegou de mansinho e garantiu lugar cativo no meu cotidiano.

Mais do que um blog, ele é um diário de uma vida, vivida sob muitas perspectivas. Um caminho cujo traçado se faz aos poucos, lentamente, e tão inesperado quanto um dia de sol que de repente escurece, mudando todos os planos.

Neste mês de ausência não forçada, permiti-me fazer outras coisas, apaixonar-me por outras estradas, outras formas de viver meus momentos quase raros de lazer, para esvaziar a mente das poluições cotidianas.

Descobri o artesanato, a dança, a vida leve... Não houve abandono do blog, muito ao contrário... Frequentemente passava por aqui. Não para escrever, mas sim para rememorar, reler, rever tudo que já passei, escrito nas linhas e principalmente nas entrelinhas. Estas são as melhores. Risadas, lágrimas, sustos, altos e baixos. Tem de tudo por aqui... Assim como a vida, a vida de qualquer um.

Os fatos falam por si só. Fatos remetem a reflexões de quem quer olhar o todo sob novas formas. Desfocar, às vezes, faz bem. Muda trajetórias, revê conceitos, refaz o conjunto.

Estou de volta, repaginada, talvez, mas sempre com a cabeça cheia de ideias. Estou viva!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Quando os sinos tocam...

 

O post de hoje é inspirado em um texto que chegou assim, despretensiosamente, às minhas mãos, por meio de uma sensível amiga. Disse ela que tinha certeza de que eu adoraria lê-lo. Acertou em cheio.

O texto é de José Saramago, este renomado escritor português, que justifica ter ganho o Prêmio Nobel de Literatura de 1998 (só?), tamanha sensibilidade e perfeição de seus textos. Tem como título a intrigante metáfora: Da justiça à democracia, passando pelos sinos.

Obviamente, não chego aos pés de Saramago, mas dou-me ao luxo de parafraseá-lo quantas vezes entender possível, ao longo do que hoje resolvi escrever.

Em síntese, Saramago buscou provocar seu leitor a refletir sobre justiça e democracia, estes conceitos abstratos a que tantas vezes foram cenários de inúmeros pensamentos meus. Atualmente, o que penso sobre estas duas concepções não chegam perto da ideia original que tinha, muito antes de pensar que dedicaria minha vida profissional ao Direito.

Teoricamente, a sociedade defende a justiça com imenso afinco, esquecendo-se que, na prática, muito mais se lhe provoca a morte. Todos os dias. Agora mesmo, perto ou longe e até ao lado de nossa casa, alguém a está matando. E se há morte é como se a justiça nunca tivesse existido para os que nela confiam. Saramago provoca ainda mais, criticando ferrenhamente a justiça que se envolve em túnicas teatrais ou a que nos confunde com flores de vã retórica judicialista. Aquela que permite vendar-lhe os olhos ou viciar os pesos da balança. Aquela da espada que sempre corta mais para um lado do que para o outro. Quer exaltar, ao contrário, a justiça idealizada como uma companheira cotidiana da sociedade, para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo de ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito com indispensável à vida é o alimento do corpo.

Quando tudo se encontra limitado ao simples exercício do cumprimento das obrigações cotidianas nada mais há senão o dócil e burocratizado sistema (in)consciente, culminando num adormecimento social flagrante. E, utilizando metáforas de forma magistral, Saramago ainda alerta que, assim, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização econômica.

Com a democracia não é diferente. Classicamente, é um governo do povo, pelo povo e para o povo. Bela teoria, mais uma vez. Contudo, o que se tem é uma gestão falsamente democrática, concebida a partir de uma centelha chamada voto. É verdade que somos reconhecidamente cidadãos eleitores, capazes de votar, mas nossas escolhas são limitadas a segmentos partidários compostos apenas de relevância numérica e de incontáveis combinações políticas duvidosas.

Podemos, sim, desbancar um governo e pôr outro no lugar. Saramago provoca... será mesmo? Convida-nos a refletir afirmando que o voto não teve, não tem nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa e gira o globo: o poder econômico. Grande parte desse poder é gerenciado por gigantes que, de acordo com suas estratégias de domínio, distanciam-se, sem culpa, do bem comum, do coletivo e de tudo que, por definição, é próprio da democracia.

No fundo, no fundo, todos sabemos que é essa a crueldade real, mas por algum automatismo verbal ou mental nos forçamos a não enxergar o que está diante dos nossos olhos e continuamos a falar de democracia como se fosse algo vivo e dinâmico, real e concreto, quando ela é apenas um conjunto de formas ocas, inócuas e ritualizadas. E por uma espécie esquisita de auto proteção, esquecemos que alguma parcela de culpa nos cabe, e nos forçamos a também girar a roda da mesma maneira que dantes. Assim, reproduzimos e nos tornamos meros comissários políticos do poder econômico, com sua objetiva missão de produzir leis convenientes, para depois, envolvidas nos açúcares da publicidade oficial, serem introduzidas na sociedade sem demandar protestos, exceto pelas minorias baderneiras eternamentes descontentes. Sim, os descontentes são taxados de baderneiros. Simples assim. E o grito que poderia ser o início de um grande berro é sonoramente reduzido a ruído irritante, aquele que se quer desligar a qualquer custo.

E, enfim, tudo volta ao seu ciclo normal. Engano, mero engano. E não há pior engano do que o daquele que a si mesmo engana.

E o que têm os sinos a ver com tudo isso? Ah... só lendo Saramago pra saber...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Quanto vale a sua honra?

 

A história de hoje vem de Curitiba, lida no portal G1, numa dessas minhas andanças pelas notícias virtuais do dia de hoje.

Uma senhora aposentada, de 84 anos, pagou uma dívida que fez há cinquenta anos atrás, no mercado de seu bairro. Ela deixou de pagar, na época, porque passava por sérias dificuldades financeiras, o valor de 7.940 cruzeiros.

Hoje, com orgulho, pagou sua dívida, atualizada e corrigida em R$ 150,00, referente a  um pacote de açúcar, três pacotes de café, dois quilos de arroz, um pacote de macarrão, meio quilo de banha, um quilo de feijão e um pote de margarina. O dono do mercado, que já nem se lembrava mais da tal dívida, emocionou-se com o pagamento, que não pôde ser recusado, a pedido da antiga devedora, que disse ficar ofendidíssima caso o dinheiro não fosse aceito. Até o bilhete, com as anotações da compra, foram guardados pela aposentada, que revelou ainda 'nunca ter esquecido' da dívida que fez e que não conseguira honrar, por motivos que fugiram de seu controle.

A história, simples, tocou-me profundamente. Fez-me refletir o quanto vale a honra, não aquela medida por números os cifrões, mas a que se traduz pela retidão e pela honestidade de brasileiros que, apesar de bombardeados com excessos de corrupção, falcatruas e desmandos, ainda insistem em fazer, tão somente, o que é certo. Simples assim.

Inspiração pura!

segunda-feira, 12 de março de 2012

O essencial é invisível aos olhos...



Diz um conto já clássico de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) que uma velhinha, todos os dias, passava na fronteira pilotando uma lambreta, carregando um saco de areia. Desconfiado, um dos agentes fez várias batidas e nunca a flagrou transportando nada que não fosse o mero saco. 

Já vencido pelo cansaço, fez uma proposta. Jurou que nunca faria nada contra ela, mas implorou que dissesse o que contrabandeava. Ao que ela respondeu: lambreta!

Sim, o essencial é invisível aos olhos!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pulga Esperta


Viver é simplesmente uma questão estratégica. Em geral, resolver um problema é algo muito simples, demandando dois ou três neurônios e uma boa dose de observação e paciência...

Duas pulgas estavam insatisfeitas porque o sucesso das coçadas do cachorro que habitavam era muito maior do que o de suas picadas. Uma delas assim disse: - o problema é que não conseguimos voar, e assim, nossas escapadas das patas do cachorro ficam mais lentas e ele nos alcança com mais facilidade. Vamos fazer um curso de moscas para aprender a voar, pois, afinal, existem mais moscas no mundo do que pulgas, certamente é porque elas voam e as pulgas, não.

Após concluírem o curso de moscas, ainda não estavam satisfeitas. As abelhas eram melhores, pois além de voar, ainda flutuavam no ar, conseguindo levantar voo com mais agilidade e rapidez.

- Vamos para o curso de abelhas! Lá aprenderemos muitas táticas importantes para nossa sobrevivência!

Finalizado o curso de abelhas, o resultado não havia sido satisfatório. - O problema é que nosso estômago é muito pequeno. Veja só os pernilongos! Numa picada só enchem a barriga de sangue e conseguem rapidamente se alimentar. Precisamos de um curso de pernilongos!

Depois do fim do curso, as pulgas voadoras, flutuadoras e barrigudas eram facilmente percebidas pelo cachorro, que as impedia de pousar antes mesmo delas se aproximarem... Nem no lombo conseguiam mais chegar. Fracasso total...

Nisso, as pulgas, agora choronas, sem saber o que fazer, foram ultrapassadas por uma pulguinha saltitante e minúscula. Ela estava bem alimentada, forte e feliz e se dirigia ao tal cachorro que as barrigudas nem conseguiam chegar perto...

- Ei, ei, pulguinha! Como você consegue chegar em todos os cachorros e se alimentar com tanta facilidade?

- Facil! Foi só observar o cachorro por alguns instantes. Percebi que o cocoruto é o único lugar que ele não alcança com suas patas, nem com sua boca. É pra lá que eu vou e fico tranquilamente me alimentando, pelo tempo que quiser...

Essa história me faz lembrar uma frase de Albert Eisntein...

" Não se pode resolver os problemas 
utilizando o mesmo tipo de pensamento 
que usamos quando os criamos. "

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Como minha mente vê


Um ancião, deficiente visual, acabara de perder sua companheira, falecida depois de anos de convivência mansa e feliz. Sozinho, já debilitado pela idade, e ainda com suas naturais dificuldades em razão da cegueira, decidiu procurar um asilo para morar, onde teria assistência e companhia.

Chegando ao local, a atendente se aproxima, falando do local onde seria sua próxima residência... - Olha, o senhor irá gostar muito daqui... o quarto é muito arejado, sol da manhã, os móveis são dispostos de forma a facilitar o seu cotidiano, as pessoas que aqui moram são...

Eis que o velho a interrompe...

- Eu adorei, adorei mesmo, está ótimo!
- Mas eu nem lhe mostrei o local, nem o quarto ainda, senhor!
- Não precisa, minha mente já havia gostado de tudo, antes mesmo de eu entrar aqui...

Bem assim: felicidade é o resultado de uma escolha que se faz previamente e independe de qualquer acontecimento bom o ruim que acontece em sua vida.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Responsabilidades infantis


Voltando da escola, caminho arborizado e florido, um belo fim de tarde... Papo rola solto com minha pequena de seis anos, quase sete...

Perguntava eu como ela estava se sentindo no segundo ano, pois já está prestes a encerrar a segunda semana de aula e queria saber como estava sendo a coisa toda na cabecinha dela...

- Eu estou 'a-do-ran-do' mãe!!! (assim, pausadamente).
- Ah é, filha? E por que?
- É porque eu estou tendo muitas responsabilidades e estou gostando de sentir isso.
- É mesmo?
- Claro, o segundo ano está começando muito bem. Eu percebi que a gente é responsável por tudo o que faz. Tem amigos que não se comportam muito bem e eles atrapalham os outros que querem aprender. 
- Ah, isso é muito ruim, não é mesmo?
- Eu fico muito chateada e falo logo pra esse amigo, mas eles muitas vezes não dão bola e querem continuar atrapalhando os outros. Aí, não tem jeito, tem que ir pra sala do inspetor.
- Humm.
- Eu também agora sou responsável pelo dinheiro da cantina que você me dá, eu cuido direitinho. Sou responsável por cuidar da minha mochila, dos meus materiais. Eu também cuido de mim mesma, tô aprendendo. Tem até os inspetores que ficam pelo colégio que ajudam, se eu precisar. Mas eu sei que sou responsável até pelo meu tempo. Por exemplo, quando eu te prometo que vou te esperar na biblioteca, eu estou lá, aproveitando o meu tempo, lendo um livrinho, jogando uns jogos bem legais no computador. Eu gosto.
- Nossa filha, quanta coisa boa que você está aprendendo.
- É verdade. Por isso estou adorando o segundo ano. Eu até vi hoje na televisão que um ciclista morreu porque foi atropelado, pois não havia ciclovias para ela andar no espaço dele. Eu fiquei muito triste...
- É mesmo filha, é uma coisa terrível...
- Eu acho que esse nosso prefeito não tá fazendo nada certo. Nem mandou construir ciclovias.... (pausa). Mãe, será que um dia posso ser prefeita?
- Claro filha, pode sim. É um cargo de muita responsabilidade, sabia?
- Ah sim, mas eu estou aprendendo a ter responsabilidade, e estou gostando muito disso. Eu acho que vou ser uma ótima prefeita! Vou fazer ciclovias para as pessoas andarem de bicicleta e não serem atropeladas. Também vou dar um jeito nessas filas da nossa cidade, que são muitas!
- São decisões muito importante para a nossa cidade, tenho certeza que você será uma ótima prefeita, pensando assim.

Sorrisão feliz da filha, encerrando o papo... Sorrisão maior ainda da mãe, inflada de emoção...


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Comunicação falha


Vez ou outra isso ocorre... uma mensagem com determinada intenção parte do seu agente e chega ao seu receptor truncada, abafada, sem nexo.

Resultado: o receptor interpreta-a a seu gosto, o que, na maioria das vezes, é bem diferente da intenção original do que emitiu a tal.

Até aqui, tudo bem... sinais ocupados e interferências podem até ser considerados corriqueiros, sem gravidade suprema... o problema é quando aquele que recebeu a mensagem truncada, toma-a como verdade absoluta.

E, em geral, esta verdade 'absoluta', aos olhos ouvidos do receptor de orelha suja, acaba se transformando em  ofensa. O desgosto lhe corrói a alma, a raiva, a decepção, a tristeza...
Afinal, eram amigos... como pude acreditar naquele que hoje se mostra tão cruel, tão falso...?

Mais uma vez, falha na comunicação. Ouvir de terceiros uma história que envolve a sua pessoa, merece cautela. Afinal, qual a verdadeira intenção daquele que lhe conta a tal história? Seria mesmo verdade aquilo que lhe foi contado?

Confesso que aprendi, a duras penas, separar e filtrar o que chega até os meus ouvidos... e dou pouca importância a histórias alheias que vêm recheadas ou pingadas de venenos. Cansa... Passei a limpar com mais frequência meus canais auditivos.

E me fez bem.

Já era seletista... fiquei pior.

E quem ouve menos, fala menos. É um bom exercício. Fiz isso porque percebi que até mesmo o que você fala, ecoa erradamente, não traduzindo com perfeição sua real intenção. Um comentário sem maldade, acompanhado de um suspiro e de um olhar desdenhoso pode ser multiplicado rapidamente com maldade, e ainda atribuído à sua pessoa a autoria.

Melhor não arriscar. Em boca fechada nunca entrou mosca. Moscas preferem podridão e sujeira... longe de mim.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Frases de todo dia


Eu sempre fui apaixonada por frases. Não qualquer frase, é claro, mas principalmente as curtas (no tamanho), mas enormes de conteúdo. A capacidade do autor em sintetizar um pensamento reflexivo em apenas uma única frase, daquele jeito em que o leitor fica em silêncio, durante algum tempo, após lê-la é um talento que admiro muitíssimo.

Vagando eu pelos sites da internet, estava à procura de um adesivo decorativo para a minha sala. Encantei-me com árvores e frases, por certo. São milhares de opções de letras, cores, formas, tamanhos, que dá até vontade de desistir...

Qualquer frase é possível personalizar, e é preciso encontrar aquela que mais combina com o contexto do ambiente, o estilo dos moradores e com a mensagem que se pretende deixar marcado a todos que visitam aquele ambiente.

Então, estou à procura desta tal.

E nesta procura - aliás, a melhor parte - lembrei do quanto amo frases reflexivas e impactantes... Fui atrás das melhores frases do mundo. Encontrei aquelas que mais se repetem em vários sites com este propósito, e praticamente todos se concentram em três pensadores, não por acaso, dos maiores gênios da humanidade...

Friedrich Nietzsche, filólogo alemão.
William Shakespeare , poeta e dramaturgo inglês
e Winston Churchill, historiador, escritor e estadista notável.


Doos três, pérolas incríveis deparo-me todos os dias. Suas frases são um deleite para a reflexão, um convite ao pensamento fértil e ao crescimento espiritual.

Continuarei a minha pesquisa até encontrar 'a' frase que traduz o que pretendo...

Vem comigo e faça também sua viagem...

Do alemão:

"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.” 
“O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte.” 
“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” 
“É mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação.” 
“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” 


Do inglês:

“A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial.” 
“Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador.” 
“Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.” 
“Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.” 
“Conservar algo que possa recordar-te seria admitir que eu pudesse esquecer-te.” 


E do estadista, minhas preferidas:

“O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o otimista vê oportunidade em cada dificuldade.” 
“O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo.” 
“Se você está atravessando o inferno… não pare.” 
“O vício inerente ao capitalismo é a distribuição desigual de benesse; o do socialismo é a distribuição por igual das misérias” 
“Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança.”

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pequenas invasões cotidianas


Odeio que invadam o meu espaço. Acredito que todo ser humano se incomode com invasões, mas a pior delas é a do tipo sutil, que vai ocupando aos pouquinhos, até culminar no domínio total de um território que antes lhe pertencia.

As pequenas invasões cotidianas se mostram insuportáveis dependendo do grau de tolerância do antigo ocupante... Confesso, o meu é extremamente pequeno.

Existem espaços que você permite a alguns privilegiados compartilhar, outros nunca. São espaços sagrados o seu quarto, sua mesa de trabalho, seu corpo, seu hobby, sua cozinha, sua bolsa, telefone celular. Alguns ainda são mais radicais e não compartilham pessoas, animais e até mesmo objetos absolutamente fora de qualquer suspeita. E tudo isso sem que o, às vezes, inocente  invasor, saiba ou imagine. 

Aquela cadeira que só você senta, a caneca preferida, o livro xodó, o espaço do armário, são todas barreiras interpessoais difíceis de enxergar, mas que continuam muito vivas aos olhos do seu proprietário, irritando sobremaneira aquele que se vê invadido.

E a modernidade ainda chega com mais espaços, os virtuais... ou será que você não se irritaria ao saber que seu email pessoal foi lido por terceiros?

Na verdade, só não é invadido quem aprendeu a deixar muito claro aos demais onde estão os limites demarcatórios do seu espaço. E isto só é conquistado às custas de muita prática negativa e, às vezes, deixa inimigos pelo caminho... 

E segue mais uma das escolhas da vida: ou aprende a dizer claramente qual seu território, ou as pequenas invasões cotidianas continuarão a irritar... Ainda estou aprendendo, mas já avancei bastante...
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