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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pontuação da vida


Em seu leito de morte, um velho homem rico pediu um papel para escrever seu testamento. O resultado foi este:

Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres.

Logo em seguida, entregou o papel sem dizer uma só palavra e morreu.

O sobrinho pegou o papel e logo assim pontuou o texto:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho! Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

Contestando, apareceu a irmã e disse que a intenção do texto era outra:

Deixo meus bens à minha irmã! Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

O padeiro quis entrar na briga, e assim constatou:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres.

E chegaram os pobres, de bandeira na mão, reivindicando a herança:

Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres.

Moral da história: A vida pode ser interpretada de diversas maneiras. Nós é que damos a ela a pontuação conforme nossas vontades e perspectivas!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bomsensol


Início de tarde. Trânsito maluco. Cheguei ao meu destino ilesa, sem danos materiais ou físicos. Já foi uma vitória. Percebo que mais do que apenas veículos trafegando, estou no meio de uma guerra sem precedentes.

Na porta da garagem onde estaciono o carro todos os dias, um impasse.

Ao mesmo tempo eu querendo entrar e outra querendo sair. Uma fica olhando para a outra para ver quem desiste primeiro e engata a marcha ré...

Inércia...

Passados dez segundos não aguento e dou o braço a torcer. Inicio o retorno. Luz de ré acesa, tento subir a rampa que já tinha descido...

Eis que outro veículo aparece atrás de mim, também querendo entrar na dita garagem (sim, esses donos de estacionamentos estão ficando milionários!)

Ninguém se move.

Outro veículo quer sair e posiciona-se atrás daquela que esperava a minha marcha ré.

Desisto e saio do carro. No meio da rampa. Apelo para o bom senso.

Muito pior exigir que os da rampa retornem, prejudiquem o trânsito, podendo até atropelar um pedestre desavisado, do que pedir carinhosamente para que os que estão dentro do estacionamento recuem cerca de 3 metros, sem risco algum, para dar espaço aos que preferencialmente, pela lei de trânsito, deveriam ser os primeiros a entrar.

Mas essa não foi a interpretação da minha adversária.

Apelei.

Diz o artigo 29, III, a do CTB:

III - quando veículos, transitando por fluxos que se cruzem, se aproximarem de local não sinalizado, terá preferência de passagem:

a) no caso de apenas um fluxo ser proveniente de rodovia, aquele que estiver circulando por ela;


Após uns dez minutos de discussão, gestos não amigáveis e palavras não carinhosas, todos foram convencidos de que o melhor mesmo era, finalmente, exigir o recuo dos que estavam no estacionamento para dar entrada aos que estavam chegando, já que, a esta altura, o trânsito nas imediações estava comprometido com o impasse dos quatro carros (eu incluída).

Buzinas, buzinas e mais buzinas.

Alguns só paravam e riam. Não me pergunte por que ninguém ajuda nessas horas. Querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Quem sabe ver duas mulheres puxando uma o cabelo da outra? Daria um bom espetáculo...


Não comigo como atriz principal.

Eu voltei para meu carro. Tranquei a porta. Aumentei o volume do som e continuei a esperar. Respiro dez vezes. Mantras acionados.

Enfim, a passagem. Entro na garagem. O outro carro, que seguia atrás de mim, também.

Impasse resolvido. Todos seguiram aos seus destinos. Minha adversária, indignada, cantou pneu e saiu da garagem. Não deve estar no seu melhor dia, pensei.

Indago ao dono da garagem: uma pequena placa, indicando qual é a preferencial, resolveria o problema nada disso teria acontecido. Ele concorda, mas retruca. - Confiamos no bom senso das pessoas.

Torço o nariz, sigo meu rumo.


Se bom senso fosse padrão de comportamento, os fóruns não estariam abarrotados de processos, as delegacias estariam vazias, os dicionários não precisariam incluir palavras de xingamento, valores sociais seriam cultuados, solidariedade não seria raro nem moeda política, regras seriam obedecidas, códigos e leis seriam desnecessários...


Reflexão... Definitivamente, não há bom senso em doses suficientes circulando pelas veias de todos.


E ai? Já tomou sua dose de bomsensol hoje? Junto com ele também é bom tomar o simancol, o baixaabolol e o sinxergol. Não dói, é de graça e faz bem não só para você.


Já garanti o meu estoque...

sábado, 5 de novembro de 2011

Como você lida com o imprevisível?


A ordem dos dias modernos é a imprevisibilidade. É fácil ver o caos instalado em vários momentos do nosso cotidiano e manter uma rotina dentro desse ambiente se torna um ato heróico.

Não lido bem com o imprevisível. Tenho lá as minhas dificuldades. Não gosto de nada que não possa estar sob meu controle e o aleatório é, por si só, algo descontrolado. Certa vez li em algum lugar que o imprevisível é amante da angústia. Concordo.

Quantas vezes o bichinho da angústia me pega assim, desprevenida, e se instala no meu cotidiano de forma irritante, grudando e tirando todo o belo que há por perto, ofuscando meus pensamentos e ideias.

Lidar com a imprevisibilidade é uma arte. A arte do controle sobre o imprevisível não tem vez. É preciso encontrar outra maneira de enfrentar as situações que, por vezes, saem do script. Talvez a melhor maneira de enfrentar o aleatório seja aceitá-lo.

Mas como é difícil...

Vejo que alguns definem o imprevisível com a arte de surpreender. Quando você efetivamente quer surpreender, acredito que este seja mesmo o conceito, até como forma de mostrar o lado positivo desta palavra. O problema é quando as situações imprevisíveis se apresentam como fatos, e não em pessoas. É esta a dificuldade a que me refiro.

Imprevisíveis somos todos. Ninguém sabe como e qual será o dia de amanhã, embora a grande maioria o planeje e quer que ele aconteça de determinada forma...

Apesar de não gostar de incertezas, entendo que há certa lógica nesta dinâmica... seria patético coordenar, controlar e saber de todo o roteiro de sua vida antes mesmo de ela começar. Entendo que é necessário, relevante e até, sob certo ponto de vista, didático.

Ainda preciso aprender muito. Estou por aqui nesta caminhada para isso... E você, como lida com o imprevisível?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Quanto vale?


É fato. Precisamos uns dos outros para sobreviver. Por mais que você seja esperto, capaz e auto confiante, sempre haverá algo que não saberá fazer, algo que precisará delegar, tarefas que não conseguirá cumprir.

Pois bem.

A pergunta de hoje é: quanto vale uma habilidade?

Quanto vale descobrir qual a peça que deve ser trocada para o carro voltar a funcionar? O preço de uma fórmula para crescer cabelos? Quanto é uma receita saborosa, daquelas que ficam na memória? Um texto bem escrito? Uma massagem revigorante? Quanto vale um trabalho artesanal, ou uma camisa bem passada...um cobertor cheiroso ou uma consulta médica por telefone, às 3 da manhã, que receita o remédio certo para curar a dor de ouvido de seu filho?

Da lista acima certamente pagaria um bom preço, sem reclamar, de alguns itens. Habilidades deveriam ser medidas pelo seu alto grau de raridade, oportunidade, conveniência e... tempo para adquiri-la. E não apenas simplesmente pelo que o mercado entendo como justo.

Uma antiga historinha pode exemplificar exatamente o que expresso aqui. Vamos a ela. Esse texto foi publicado em 06 de março de 2003, na Folha de São paulo, de autoria de Mário Sérgio Cortella:

'Conta-se que em uma imensa fábrica nos EUA, funcionando o tempo todo por 24 horas ininterruptas, plena de mecanismos sofisticados, máquinas avançadas e equipamentos hidráulicos de última geração, ocorreu uma pane desconhecida. De pronto, sem qualquer aviso, todo o sistema ficou paralisado. Ora, cada minuto era precioso, tendo em vista a perda acelerada de dólares que a parada causava. A engenharia de manutenção e o suporte técnico foram imediatamente chamados, os especialistas examinaram todas a estruturas possíveis, os relatórios informatizados e as planilhas de operação foram vasculhados e nada. O defeito não era localizado.

Passa-se um dia, dois e, no terceiro, com a direção já desesperada, prefere-se convocar dois técnicos do Japão, que, um dia após a chegada e a inspeção, já haviam desistido. No sexto dia, tarde da noite, reúne-se a desanimada diretoria, à beira do colapso criativo e próxima de buscar soluções esotéricas para sanar o imenso prejuízo acumulado. Num determinado momento, um dos diretores diz: "Lembrei-me de uma coisa! Há um velho encanador que trabalha há mais de 50 anos nesta cidade. Quem sabe, como recurso extremo, ele nos ajude". Sem alternativa, chamam o antigo profissional que, com sua maleta de ferro já desgastada, caminha silencioso por toda a fábrica e, de repente, perto da área central, pára, abaixa-se, coloca o ouvido no piso e dá um leve sorriso. Tira, então, da maleta, um martelo de borracha e, com ele, dá uma pancada no chão. Tudo volta a funcionar. Júbilo, alegrias, vivas.

O gerente financeiro, depois de abraçar efusivamente o encanador, pergunta pelo custo do serviço. Ele responde que são mil dólares. O gerente, atordoado, retruca: "Mil dólares por uma marteladinha? Não dá, não vão aceitar. Faça, por favor, uma nota fiscal detalhando todo o seu trabalho aqui". O velhinho não se incomoda: preenche o documento e entrega ao gerente, que lê a discriminação:
"a) dar a marteladinha, 1 dólar;
b) saber onde dar a marteladinha, 999 dólares".

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Gogo's Land


Então. A nova mania aqui de casa é a Gogo's Land. São mini bonequinhos que representam as dezenas de personagens de Maurício de Souza. Eles vêm em duplas, junto com quatro figurinhas, para um álbum, ao custo de alguns reais o pacotinho.

O álbum, em si, não tem nada de especial. Aliás, as figurinhas são o que menos interessam. O que importa mesmo são os Gogo's (não me perguntem o porquê) #perguntaproMaurício

Minha morena de seis anos ficou encantada. Anda pra lá e pra cá carregando seus vinte minúsculos Gogo's (de um total de sessenta), e volta e meia se desespera quando percebe a falta de um deles. Nem preciso dizer o quanto é apaixonada pela Turma da Mônica (alguém não é?), e ver seus personagens favoritos concretizados em bonequinhos, como que saltando dos gibis para permitir brincadeiras materiais, foi a descoberta do fim de semana.

Já estou às voltas para confeccionar mini casinhas de feltro para cada um dos personagens da Turma do Limoeiro (na verdade, os Gogo's moram na Rua do Limboeiro), com direito a cemitério para a turma do penadinho e cavernas para os pré históricos. E já caí na brincadeira também, com muito gosto.

Cada um dos bonequinhos conta com habilidades específicas (uns saltam mais longe, outros são mais fáceis de pôr em pé, e assim por diante), e o álbum sugere ainda diversas brincadeiras que se pode fazer com os simpáticos personagens.

Sem dúvida, nova mania entre a criançada dos seis e sete anos (#tôdentro).

O que mais me surpreende, fora a grande capacidade de se criar coisas simples que encantam a criançada, é ver que, no fundo no fundo, brincadeira de criança ainda é muito ligada ao imaginário. Não nego que eu também, quando meus primeiros dente de leite caíam, fantasiava situações para brincar... uma hora era super herói, outra era princesa, bruxa, gatinho, pássaro, médica, cientista ou astronauta...e não desgarrava dos meus gibis da Turma da Mônica, que me acompanharam por muitos anos (pena que ainda não existiam os Gogo's...).

É evidente que isso varia muito de criança a criança, as preferências são pessoais... mas a verdade é que, mesmo com toda a tecnologia e o mundo digital que a cerca, seus interesses primários ainda são muito parecidos com os que me rodeavam. Simular situações, das mais variadas, usando como pano de fundo Gogo's ou as antigas fofoletes, é o que toda criança necessita para tornar-se futuro.

E homenageando Carlos Drummond de Andrade, que completaria 109 anos neste 31 de outubro:


“ Brincar com crianças, não é perder tempo, é

ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escolas, mais

triste ainda é vê-los sentados sem ar, com

exercícios estéreis sem valor para a formação do

homem”

Uma última nota: apesar das semelhanças, o mundo é mesmo outro...crianças não são como as de antigamente, por certo. No cantinho do álbum, o endereço do site já foi devidamente localizado e acessado pela minha gogomaníaca, que ainda arrematou: 'eu queria arranjar um jeito de agradecer o Maurício por ter feito o Gogo's pras crianças, mãe! Oooooo, filha, pode deixar que a mãe arranja um jeito de agradecer! Você promete? Prometo!'


Então, caro Maurício, espero que chegue até você esta singela homenagem. Obrigada pelos gibis, que permitem reviver minha infância na leitura de minha filha...obrigada pelo gogo's, que nos permite continuar voando nas asas da imaginação.


E mais vivas a Maurício de Souza, que não se contenta em 'apenas' contribuir para a descoberta da leitura de gerações, mas também de formar indivíduos plenos, cidadãos conscientes, com ternura, criatividade, sem deixar de lado a modernidade que já faz parte de tudo que nos cerca.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A lógica do tubarão


Custo a entender, por vezes, a razão pela qual um outro ser humano age de forma, sob meu ponto de vista, equivocada. E entendo menos ainda quando esta mesma pessoa continua insistindo em agir da forma que elegeu, muitas vezes persistindo nos mesmos erros, agarrada em suas convicções e lógicas transversas.

Outro dia desses, lendo crônicas filosóficas, deparei-me com uma tese denominada 'a lógica do tubarão'. Certa vez, Jacques-Yves Cousteau, o maior oceanógrafo do século XX, indagado por um jornalista sobre quais as chances de alguém escapar com vida de um ataque de tubarão, afirmou: 'as chances são nulas'. Indignado, o insistente jornalista perguntou, na sequência, se o tubarão, mesmo alimentado, ameaçado por um arpão, à noite, etc., etc., etc., continuaria  a atacar. A resposta, novamente, foi: 'o bicho atacará de qualquer modo'. O jornalista, irritado, bradou: 'mas isso não tem lógica!

Diante do impasse, Cousteau arrematou: 'tem sim... é a lógica do tubarão'!

Essa constatação, em comparação metafórica, pode ser aplicada, sob diversos aspectos, em nossas ocasiões cotidianas. Quantas vezes nos deparamos, assustados, com verdades truncadas, comportamentos tortos, ações inadequadas que, de acordo com nossos princípios, apresentam-se de forma totalmente equivocada.

Esquecemo-nos, por certo, que a motivação escolhida para direcionar a conduta passa longe dos critérios que cada um estabelece para si próprio como correto. A lógica do outro nunca será, ao menos completamente, a mesma para todos. 

E quantas vezes me pergunto, observando o comportamento alheio: 'Mas por que motivo ele agiu assim? O que o levou a concluir dessa forma? Qual foi a premissa eleita para esta conduta?

As respostas, quase que na maioria das vezes, não permitem encaixar a totalidade das peças do quebra-cabeças. Sempre falta uma, duas, três... e a figura não se completa.

A hipótese descrita sobre a lógica do tubarão esclarece que não apenas ao peixe, mas principalmente dentre os humanos, muitas fontes são base para direcionar ações e verdades, sendo praticamente impossível prever ou deduzir qual será o próximo ato.

Tubarões são mais simples, sabe-se que eles sempre atacam...








quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Top Blog 100 finalistas


É momento de comemoração bloguística...O vida-de-isa já está entre os 100 finalistas do prêmio Top Blog 2011. Sinceramente, foi uma grata surpresa ver isto acontecer...não esperava... sinal que o blog está agradando realmente. E isto só me dá mais vontade de escrever e continuar inventando moda. A última delas foi o Vida Curiosa, já conferiu?

E a votação continua. Se até agora não fiz campanha, agora vou fazer descaradamente mesmo... porque virginiano é bicho competitivo (#prontofalei).

Então para quem não votou ainda no segundo turno, basta acessar aqui, votar e confirmar depois o voto, através de seu email.

Conto com vocês para passarmos por mais esta etapa, já agradecendo por ter chegado até aqui!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Coruja Curiosa


Eis que surge uma nova coluna no blog... Vida Curiosa.

Vai ficar ali, no cantinho direito, com a foto de grandes olhos corujentos e curiosos.

O objetivo é buscar a origem, a fonte, conhecer, tudo o que faz parte do cotidiano, tudo o que um dia povoou sua mente e você deixou para lá porque talvez não tivesse tempo de pesquisar.

O vida-de-isa-curiosa tem este propósito. Responda a enquete e colabore para que os próximos posts venham no tema que mais aguça a curiosidade alheia!

tem a proposta de 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Casa com vida



É de Carlos Drummond de Andrade o post de hoje:

Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.

Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:

- Aqui tem vida!!!

Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?

Tapete sem fio puxado?

Mesa sem marca de copo?

Tá na cara que é casa sem festa.

E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.

Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.

Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.

A que está sempre pronta pros amigos, filhos, netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.

Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...

Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...

E reconhecer nela o seu lugar!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

É o que aparenta?



Toda vez que me deparo com uma situação que parece inicialmente de um jeito, e depois se mostra de outro, ponho-me a filosofar sobre as realidades visíveis e ocultas.

A verdade, neste contexto, sempre é, apenas, a versão que se apresenta no momento, com todas as máscaras fabricadas ou não por interesses próprios os alheios. No momento em que uma ou algumas delas são desvendadas, outra verdade se faz presente, e o ciclo reinicia.

Chego muitas vezes à conclusão de que nunca, em tempo algum, a verdade absoluta será visível, porque esta, como conceito genérico, é fruto da subjetividade de alguém que a constrói de início e, depois, pelo que passa pelo depuramento das versões correlatas.

Por certo, o fato ocorre de uma única maneira. As construções que se distorcem em função do fato nunca o são de um só modo. E assim, as 'verdades' ascendem, umas sobre as outras, até não mais guardar relação com o fato inicial, que passa a ser um novo fato.

Esses movimentos cíclicos em torno do real abraçam os interesses de seus interlocutores principais, que movimentam a massa a pensar da forma como por ele foi projetada a versão. E muitos, sem questionar, são envoltos na facilidade de apenas seguir...até o momento em que outro alguém, movido por outros interesses, questiona a primeira versão e empresta um grande ponto de interrogação àquela primeira. E a massa, mais um vez, levada pela simplicidade do seguir, concretiza seu papel não nobre.

A partir do momento em que você se coloca a assistir esta dinâmica de fora, encaixam-se muitas peças de seu quebra cabeça mental. Logo, você facilmente percebe as vezes em que fez o papel do primeiro interlocutor da verdade, o papel de massa manipulada, ou até, se lhe sobrar vontade, o papel de questionador da versão inicial.

Ter a consciência de que todos esses momentos acontecem e de que forma você quer cumprir o seu papel nesse jogo, lhe dá a certeza de qual responsabilidade melhor convém, e, assim, a sua verdade fica mais transparente a todos os demais.

E aí, já escolheu a sua aparência?
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